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Alugar em Atibaia está cada vez mais difícil

Seja para fins residenciais ou comerciais, valores extrapolam a realidade.

Existem algumas máximas que falam sobre a importância de comprar ou alugar algum imóvel. E, claro, dependendo do valor do bem, a melhor solução é locar pois – além de permitir um investimento menor de início – faz com que qualquer movimentação, mudança e afins sejam de menor complexidade, mas com os valores atuais, até a locação tem ficado difícil.

Com impacto direto na renda familiar, em toda cidade de Atibaia, os valores dos aluguéis cresceram em uma proporção que desafia o poder de compra de muitos cidadãos. E o cenário não é melhor se essa mesma pessoa empreende. Os valores de salas e pontos comerciais também cresceram na contramão das oportunidades que se mostram disponíveis.

Sim, o contrato existe e pode ser reajustado. Mas quando há uma disponibilidade grande de unidades – residenciais e comerciais – a tendência é que o valor que compõe o custo da locação caia. Em Atibaia, o que se pode observar são dezenas de casas e lojas em diversos bairros anunciadas há mais de 1 ano. Há, ainda, aquelas que ficam vagas por mais de 3 anos.

Esse comportamento pode sinalizar que o valor que o mercado deseja não está alinhado com a realidade da economia local, mas também que alguns proprietários pressionam e preferem não alugar seus imóveis para que parte deles ainda tenham a rentabilidade desejada. Assim, uma espécie de ‘bolha’ é criada, fazendo com que os valores de locação não sejam condizentes com os valores de venda da mesma unidade.

O cenário atual pode ser explicado pelo recorte pré-pandemia, quando a cidade vivia um crescimento mais moderado e já havia um sobrepreço. Contudo, com as mudanças relacionadas à COVID19, muitos buscaram cidades do interior e Atibaia registrou um boom com aumento expressivo no número de habitantes.

Esse aumento fez com que os valores subissem ainda mais, mas – também – que o ritmo de investimento e construções seguissem altos. Em contrapartida, após a pandemia, muitos retornaram aos seus lares originais, deixando vários imóveis vagos. Na parte comercial, a vacância está intimamente ligada às empresas que não resistiram ao momento tão turbulento que foi atravessado ou migraram para a modalidade homeoffice.

De posse desses dados, hoje, o valor da locação – a se considerar o grande número de opções existentes – deveria cair e não subir. O custo de vida, algo que influencia diretamente na qualidade de vida percebida tem chegado a valores que criam estagnação do comércio em diversos bairros, com reflexos direto no Centro e na Lucas Nogueira Garcez.

A gestão pública, diante desse cenário, pode e deve intervir para garantir dispositivos que garantam aluguel acessível, incentivos à moradia popular e, do lado empresarial, fomentar modelos de gestão compartilhada de espaços, contribuindo para a saúde financeira da empresa, dos empresários e dos colaboradores que atendem às demandas desses serviços.

Bruno Velasco

Empresário com experiência no Segmento de Franquias e Gestão de Clientes Corporativos há mais de 25 anos. Multiprofissional formado em Comunicação com habilitação em Jornalismo pela UVA – Universidade Veiga de Almeida (RJ), com experiência em documentário, fotografia, rádio e produção de conteúdo pela Agência ZeroUm, SP.