O futuro desponta, o passado vai ficando distante
Na ponta dos dedos, a F1.
A temporada atual da F1 parece se despedir de muitas coisas ao mesmo tempo. Não será apenas a troca nas transmissões. É a consolidação de rupturas mais fortes, como uma McLaren super dominante e dois campeões mundiais em baixa. Lewis e Verstappen, hoje, tiveram os piores resultados aliados às piores sensações. Possuem carros abaixo para aquilo que se acostumaram a entregar, os resultados não mentem, as mensagens de rádio também não. É nesse contexto que o Grande Prêmio da Hungria de 2025 ocorreu.
No sábado, Charles Leclerc brilhou e conquistou sua primeira pole do ano, ficando à frente de Oscar Piastri e Lando Norris. Apesar de dominar boa parte dos treinos, a McLaren não largou na ponta, mas nada que não pudesse ser administrado – na corrida – pelo time líder do mundial de construtores.
O domingo veio e Norris foi o protagonista da vez com uma ousada estratégia de apenas uma parada para troca de pneus e uma administração diante de Piastri nas últimas voltas. Oscar, que buscou a ultrapassagem até o fim, viu sua vantagem na liderança reduzir para apenas nove pontos. Enquanto isso, George Russell completou o pódio, fechando à frente de Leclerc, que acabou em quarto com falhas em seu monoposto.
O fim de semana revelou-se um dos piores para dois dos pilotos mais extraordinários da história recente da F1. Lewis Hamilton, eliminado já no Q2, admitiu ter tido um fim de semana “para esquecer” e até sugeriu que a Ferrari considerasse trocar de piloto. O heptacampeão terminou em 12º, longe das expectativas pessoais e da história vitoriosa no circuito, onde detém oito vitórias.
Não menos frustrante foi o fim de prova para Max Verstappen, que renovou com a Red Bull, mas largou mal e não conseguiu ter ritmo para competir, terminando apenas em nono lugar. A história que a McLaren escreve com sua dupla de pilotos parece estar destinada a apagar a realidade de dois talentos tão experientes e vitoriosos nessa temporada. De alento, em 2026, o regulamento muda e as oportunidades surgem. Quem sabe, não teremos mais uma vez os multicampeões disputando o pódio junto com a nova geração. Que a renovação venha, mas que não se apaguem aquelas histórias que não merecem a realidade que vivem nesse momento.

Bruno Velasco
Formado em Jornalismo pela UVA – Universidade Veiga de Almeida (RJ), acompanha F1 desde 1986, possui experiência em documentário, fotografia, rádio e produção de conteúdo pela Agência ZeroUm, SP.
