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Quem deseja morar em Atibaia?

Entre os desejos e sonhos, a realidade de ser viver aqui

A Capital do Morango tornou-se uma espécie de sonho-pesadelo para muitos. Com a tranquilidade de se morar no interior à estrutura de uma cidade bem desenvolvida, Atibaia reúne uma série de prós e contras nessa evolução que se apresenta no início desse século. Em um município em que a urbanização aumentou, porém a infraestrutura nem tanto, centenas de milhares de moradores vivem o dilema de entender a cidade como sua ou não. Afinal, para quem é essa cidade em que se vive?

É importante ressaltar que, em nenhum momento, é ruim viver em Atibaia. Sobretudo se seus olhares estão voltados para a região entre a Rod. Dom Pedro I e a Rod. Fernão Dias. Mas se formos olhar para além desses limites a realidade seria a mesma? A Atibaia que existe – por vezes – apenas resiste além desse ‘miolo’ de desenvolvimento e especulação imobiliária. A realidade dura e não integrada das demais regiões como Usina, Tanque e Portão deixam escancaradas urgências de pertencimento a essa dimensão que não se enxerga na prática da maior parte.

Desenvolvidos? Nem sempre. Em uma cidade pensada com diversos recortes, é possível perceber a segregação de espaços e da possibilidade de se receber como munícipe o que se espera. Hoje, romper as barreiras e integrar todos as regiões é um fator de unidade que precisa ser feito para garantir a sensação de pertencimento. As ações vão além das sociais, é necessário ocupar com equipamentos públicos que garantam assistência (médica, jurídica e afins), representação e vínculo; integrando, assim, o dia a dia das diversas micro regiões que compõem o município. Talvez, a partir daí, seja possível começar a garantir a qualidade de vida que salta aos olhos dos que pesquisam o nome da cidade nas redes sociais.

A Atibaia do futuro carece de um presente que pode ser o motor real de desenvolvimento e permita, assim, que as pessoas que aqui residem tenham o total interesse em permanecer – não mais com subempregos – mas com empregos de qualidade de um polo realmente empreendedor do interior de São Paulo. Enquanto isso não puder ser realidade, seremos apenas a cidade das estatísticas em que o potencial existe, em que o número de empresas se disfarçam sob a quantidade de MEIs que não conseguem ainda arcar com os custos de se viver em uma cidade que não soube olhar para a transformação que deseja passar.

Bruno Velasco

Empresário com experiência no Segmento de Franquias e Gestão de Clientes Corporativos há mais de 25 anos. Multiprofissional formado em Comunicação com habilitação em Jornalismo pela UVA – Universidade Veiga de Almeida (RJ), com experiência em documentário, fotografia, rádio e produção de conteúdo pela Agência ZeroUm, SP.