A cidade faliu?
Sem mão-de-obra, sem plano estratégico e com muita concorrência vinda de fora
Em meio a tantos novos rumos, a economia de Atibaia passa por uma remodelação capaz de impactar o destino nos próximos 10 ou 20 anos. Com tanto investimento novo vindo de fora, o comércio local, sem suporte estratégico e de capital de giro agoniza. É notório e fácil ver tantas lojas fechadas no centro, na Lucas e um fluxo migratório para bairros antes de menor visibilidade, como o Caetetuba e o Imperial. Ainda, assim, as grandes redes passaram a mapear, também, essas regiões.
E como fica o empresário local e os novos empreendedores?
Sem poder de competição com grandes redes que chegam para disputar ou mesmo assumir os espaços comerciais, alguns migram para um local mais distante, outros entram na informalidade. Em uma cidade com tantos CNPJs ativos, boa parte dela é empreendedora de primeira viagem e não consegue lidar com os altos e baixos do mercado. Não se trata de tradição, nem de competência. É a regra do mercado que afeta diretamente quem faz a economia da cidade acontecer.
Com uma parcela tão considerável de empreendedores, deixar que fechem as portas ou busquem a informalidade é perder não só na economia, mas, também no futuro. Sem receitas, programas sociais e de fomento perdem investimento e o retorno dos impostos se mostra improvável.
Devemos ser contra a modernização?
Não. Não se trata de estancar o século XXI, mas, sim, de observar oportunidades e setorizar a cidade para que grandes empresas não esmaguem o comércio local, freando – ainda – o fluxo de pessoas pelas regiões. Em uma Atibaia com ar de interior e com certa modernidade, perder o poder do comércio local é tal como asfixiar o futuro de toda uma geração que já não enxerga, hoje, vantagens em morar ou trabalhar aqui.
A cidade do morango e das flores, por hora, se mostra a cidade de um capital que especula, destrói e não deixa oportunidades pelo caminho. É preciso entender, agora, e planejar para que a cidade ainda seja sustentável, sem ser refém, no amanhã.

Bruno Velasco
Empresário com experiência no Segmento de Franquias e Gestão de Clientes Corporativos há mais de 25 anos. Multiprofissional formado em Comunicação com habilitação em Jornalismo pela UVA – Universidade Veiga de Almeida (RJ), com experiência em documentário, fotografia, rádio e produção de conteúdo pela Agência ZeroUm, SP.
