A hiperinflação dos aluguéis em Atibaia
Existe uma realidade que é local e que precisamos tratar
O país pode não estar atravessando seu auge econômico, mas está longe de viver seu pior momento. Atibaia, por sua vez, se vê estagnada entre dois mundos tão diferentes que podem ser incapazes de se perceberem. De um lado as mudanças e o crescimento que se percebe com grandes empreendimentos que chegam na cidade. Do outro, comércios fechando, diversos pontos disponíveis e a migração da população habitual da cidade para locais mais distantes e, nem sempre, por opção. O crescimento gerou uma bolha, é preciso administrá-la.
Nesse momento em que a Prefeitura propõe o debate sobre a desafetação, cenário em que bens públicos podem passar ao privado, seria interessante propor – dentro do mesmo contexto, o entendimento do papel privado em bolhas imobiliárias que inflam os valores na cidade ao mesmo tempo que contribuem para a queda da arrecadação, afastamento de consumidores e empreendedores impactando diretamente o comércio do centro da cidade.
Não existe ação sem reação. Mas existem soluções que podem ser pensadas de modo compensatório. E, dentre várias, pode-se sugerir a ancoragem de regiões, ruas com grandes lojas que atraiam o público, espaçando as mesmas para aumentar o fluxo de pessoas, oferecendo algum tipo renúncia fiscal para que essas empresas aceitem se mudar e a tornar o centro uma região mais movimentada.
Claro que passa pelo desejo do empresariado, porém, também, pelo incentivo do governo. Lojas âncoras, assim como em shoppings, são aquelas com maior capacidade de atrair público, sendo essenciais para que a região a ser revitalizada. As demais lojas, nesse contexto, compõem perfis associativos de uma praça comercial. Dessa forma, estar próximo ou na rota de 2 ou 3 lojas âncoras importantes é ter certeza de fluxo de pessoas à porta, é ter a chance de vender e manter o negócio funcionando.
Na dinâmica dos aluguéis inflacionados, é preciso ação dos poderes para que os negócios sobrevivam. E para que pontos comerciais, terrenos e lojas cumpram suas funções estratégicas estando à serviço do bem público. É interesse local, é interesse do governo, é um ganho para todos que querem ver Atibaia crescer de forma sustentável e justa. É possível.

Bruno Velasco
Empresário com experiência no Segmento de Franquias e Gestão de Clientes Corporativos há mais de 25 anos. Multiprofissional formado em Comunicação com habilitação em Jornalismo pela UVA – Universidade Veiga de Almeida (RJ), com experiência em documentário, fotografia, rádio e produção de conteúdo pela Agência ZeroUm, SP.
