Rotary Club Pedra Grande promove show de André Santi e espalha esperança
Show de stand-up lota Cine Itá e mostra que gestos de solidariedade valem a pena
Por Osni Dias. Imagens de Nicolas Rodrigues
O Rotary Club Pedra Grande promoveu, no sábado (25), show de André Santi, músico, ator e comediante, evento destinado ao projeto Menina dos Olhos – parceria do Rotary Club com a Prefeitura de Atibaia. Não é a primeira vez que Santi participa de ações em Atibaia. O artista já trabalhou em rádio, TV, e foi o primeiro humorista brasileiro a gravar um DVD de comédia em outro país.
O show “Desevolução” discute choque de gerações e faz rir de situações do cotidiano. O artista brinca com o tema explicando que o termo “desevolução” não existe, mas é uma provocação para mostrar que não estamos evoluindo por conta do comportamento das novas gerações. Dessa forma, passa o show brincando com o público, elegendo suas “vítimas” com quem vai interagir durante todo o espetáculo. Na verdade, Santi é cuidadoso com as palavras e respeitoso com seu público, transmitindo empatia durante toda a apresentação, que faz a plateia rir do começo ao fim.

Além disso, outro ponto positivo: 100% do lucro obtido pela bilheteria foi destinado ao projeto Menina dos Olhos, do Rotary Club de Atibaia Pedra Grande. Ou seja, além da diversão, o público ainda contribuiu diretamente para transformar vidas e espalhar esperança, promovendo a solidariedade com este gesto.
O projeto
O projeto “Menina dos Olhos” é uma iniciativa de Atibaia em parceria com a Prefeitura, o Rotary Club de Atibaia Pedra Grande e a Unicamp, que oferece exames oftalmológicos gratuitos a alunos da rede municipal de ensino. O objetivo é identificar e tratar problemas de visão, como miopia e astigmatismo, com a entrega de óculos gratuitos para os alunos diagnosticados, melhorando assim o seu aprendizado e bem-estar. O programa oferece aos alunos da rede municipal a oportunidade de realizar testes de acuidade visual nas próprias escolas. Já estudantes com necessidade de correção visual recebem óculos gratuitos, podendo até mesmo escolher a armação. Casos mais complexos são encaminhados para exames complementares na Unicamp, também sem custo para as famílias.
Após a apresentação, o comediante conversou com o Correio de Atibaia, cujos trechos seguem abaixo.

O começo
Em 2001, comecei com o teatro e música, eu ainda estava no colégio. Sempre gostei de humor, foi meio que um processo natural. O movimento do stand-up no Brasil já vinha acontecendo em meados de 2007, 2008. Eu me interessei e acabei entrando ali num boom de terceira geração, mais ou menos.
A descoberta
Sempre gostei de comédia, principalmente. E música também, um pouquinho. E eu tinha amigos do colégio que eram na área, a família do meu grande amigo até hoje. A mãe dele é atriz, o pai dele trabalhou em teatro, o irmão é músico. Então acabou meio que, entre aspas, era tudo de casa. Aí eu acabei migrando.
Trabalho internacional
Em 2014 recebi um convite para ir ao Japão. O show foi tão legal que eu comecei planejar a gravação para 2016, quando fiz uma campanha de crowdfunding. Quando eu fiz esse primeiro show, em 2014, eu já senti que ali eu gravaria o meu especial de comédia. E foi tudo excelente.
Impacto
Shows fora do Brasil, para os brasileiros que moram fora do Brasil, sempre são muito bons porque, além de ser um show de comédia, com o público presente e querendo assistir, tem um fator de saudade de casa, tem um fator de “vou ver um artista brasileiro”, tem também um fator de “se eu não ver esse show aqui, sabe lá quando vai ter outro show”, então tem toda essa emoção. Tem toda essa emoção, é a grande verdade. Aqui em Atibaia deve ter show todo mês, na região deve ter mais cinco, seis shows de comédia. Os brasileiros que moram no Japão, por exemplo, tem um, dois por ano. E às vezes não passa na cidade onde eles estão morando, e quando passam, eles estão trabalhando, não podem ir. Então é diferente.
Carreira profissional e futuro
São 16 de anos de stand-up, em 24 anos de palco. Já fiz TV, já fiz rádio e fiz cinema independente. Quero ainda fazer cinema, que eu nunca fiz. Comecei, mas eu ainda estou muito novato. Eu comecei com dublagem, que era um outro sonho meu – esse já está mais encaminhado, creio daqui a uns 3, 4 anos, eu estarei bem, inserido no mercado. Provavelmente, um dia, alguém estará vendo alguma coisa, e vai falar: “essa voz aí, eu já vi em algum lugar”. Esse dia “vai ser a minha voz, em algum canto”.
