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láDaMata apresenta a exposição artística “Mulheridades têm nome e sobrenome”

Em celebração ao mês das mulheres, espaço de criação de Atibaia apresenta o trabalho de 28 artistas da região, ocupando suas galerias no calçadão da cidade, junto à mostra individual “NÚMTERO — Num útero | Não útero”, de Mariana Farceta.

Nesta sexta-feira, 13 de março, às 19h30, o láDaMata – espaço de criação – inaugura uma nova ocupação artística dedicada às múltiplas experiências do feminino. A abertura reúne a exposição coletiva “Mulheridades têm nome e sobrenome”, de 28 artistas de Atibaia e região, e a mostra individual “NÚMTERO — Num útero | Não útero”, da artista Mariana Farcetta.

Em cartaz até 8 de maio, a proposta é levar o visitante à uma reflexão sobre as diversas formas de existir mulher no mundo contemporâneo a partir da própria vivência das artistas, com suas diferentes trajetórias e linguagens. As obras ocupam as três galerias do láDaMata, que fica no calçadão de Atibaia, e se apresentam como os movimentos fundamentais da vida: experiência, transformação e emergência.

“Reconhecer significa nomear. Nomear significa tornar visível”, diz Daniela Azevedo, curadora geral das duas Mostras. “Reconhecer as ‘mulheridades’ é dar nome às nossas lutas e às nossas dores. Somos todas Marias, Marianas, Jandiras, Dandaras, Xicas Manicongos e Marielles. Mas somos também as vozes de hoje, cujas histórias expõem as feridas abertas de nossa sociedade. Somos Tainara, Priscila, Michele e tantas outras cujos nomes ecoam em nossos corações. Mulheres que, ao romperem o silêncio, tornam-se parte deste quadro de urgência que precisamos compreender e transformar.”

A ocupação artística que se inaugura no láDaMata é, antes de tudo, um ato de urgência e subsistência. Em um cenário cultural onde a precarização do trabalho feminino ainda beira índices alarmantes — com mulheres recebendo, em média, 20,9% a menos que homens no setor artístico e ocupando apenas cerca de 24% dos acervos de grandes museus brasileiros.

Cada obra presente nesta exposição carrega uma história singular, mas também participa de uma narrativa coletiva: a de mulheres que transformam experiência em arte, memória em linguagem e sensibilidade em potência criadora. Se a sociedade frequentemente tenta reduzir o feminino a definições fixas, esta exposição afirma o contrário: as mulheridades são múltiplas, complexas e em constante transformação. Mais do que apresentar obras, este projeto propõe um espaço de encontro. Um espaço onde arte, corpo e experiência se tornam caminhos possíveis para pensar o presente e imaginar outros futuros.

NÚMTERO: corpo, memória e transformação
No centro do percurso expositivo encontra-se a mostra “NÚMTERO — Num útero | Não útero”, da artista Mariana Farcetta, instalada na Galeria Fruto. Partindo de uma experiência pessoal [a vivência da histerectomia ] aartista transforma o corpo em campo de investigação poética. O útero é deslocado de sua dimensão biológica para tornar-se um símbolo de criação, memória e transformação.

O neologismo NÚMTERO tensiona a própria palavra “útero”, abrindo espaço para pensar o feminino para além de definições fixas. O “num útero | não útero” torna- se metáfora de uma potência criadora que permanece mesmo diante da ausência ou da transformação do corpo. Segundo Daniela, curadora geral das duas Mostras neste contexto, a pesquisa de Farcetta estabelece um diálogo profundo com a exposição coletiva, ampliando a reflexão sobre as múltiplas formas de criação, existência e consciência. Por isso as Mostras tornam-se uma grande ocupação, concebida como uma travessia simbólica pelas três galerias do láDaMata.

O láDaMata
Localizado no centro histórico de Atibaia (SP), o láDaMata – espaço de criação dedicado à experimentação e ao desenvolvimento de processos criativos que integram arte, educação, inovação e cuidado humano. Fundado por Daniela Azevedo e Leandro Roman, o espaço promove exposições, cursos, residências artísticas e projetos que aproximam artistas, pesquisadores e público em torno da criação contemporânea. Mais do que uma galeria ou escola de artes, o láDaMata se propõe como um centro criativo, onde diferentes linguagens e saberes se encontram.

Daniela Azevedo
Artista visual, atriz, educadora e pesquisadora em processos de criação. Atua no campo das artes desde 1996, desenvolvendo trabalhos que transitam entre as artes visuais, a cena e os processos educativos. Especialista em educação e linguagens da arte e em fundamentos da Antroposofia e terapia artística, investiga a criação como linguagem estética, pedagógica e de desenvolvimento humano. Ao longo de sua trajetória, também atuou na área de gestão cultural em instituições como o Itaú Cultural e a Fundação Bienal de São Paulo. Participou de diversas exposições no Brasil e no exterior, com apresentações na Itália e na Inglaterra.

É fundadora do láDaMata – espaço de criação artística, terapêutica e tecnológica, onde desenvolve projetos que integram prática artística, processos formativos e experiências de cuidado através da arte, compreendendo a criação como linguagem estética, pedagógica e também como prática salutogênica.

Mariana Farcetta
Artista visual, educadora, arteterapeuta e terapeuta comunitária. Atua desde 2003 na interface entre arte, saúde e direitos humanos, desenvolvendo projetos sociais, culturais e formativos voltados ao cuidado, à produção de conhecimento e à transformação social. Mestre em Saúde pela UNICAMP, constrói sua trajetória em diálogo com organizações do terceiro setor e iniciativas comunitárias reconhecidas nas áreas de arte, cultura e direitos humanos.

É cofundadora e presidente do Instituto DIGNA, onde atua em projetos voltados ao enfrentamento das violências de gênero e à construção de redes territoriais de proteção. Integra os coletivos Sarau da Jandyra, PachaManas Cultura, Frente Feminista de Atibaia, Promotoras Legais Populares e Desvio Padrão. Como artista, realizou diversas exposições individuais e coletivas, intervenções urbanas e festivais no Brasil e no exterior, incluindo a mostra Imago Mundi, em Veneza (2014), além de participar de residências artísticas e projetos de arte pública e performance.

SERVIÇO
Exposição: Mulheridades têm nome e sobrenome C
NÚMTERO — Um útero | Não útero
Abertura (vernissage): 13 de março de 2026 — 19h30
Período da exposição: 14 de março a 8 de maio de 2026
Local: láDaMata – espaço de criação
Endereço: Rua José Alvim, 165 – Centro – Atibaia – SP
Horário de visitação: Terça a sábado, das 10h às 19h
Entrada: Gratuita