Classificação com direito a susto
Por dentro do jogo
Era pra ser tranquilo. Poderia ter sido o dito ‘jogo de compadres’, mas não foi. Diante de um Palmeiras que não soube jogar, um Inter Miami que não soube vencer. Enfileirou oportunidades e foi castigado pelas que deixou criar. Ficou pelo caminho o gosto de bater uma equipe de ponta do futebol brasileiro, fica a lição de que se nos permitirmos, eles podem sim. A classificação veio com sabor amargo, com alívio e dizendo que muito precisa ser mudado diante do Botafogo nas oitavas de final do Mundial de Clubes.
E quanto ao jogo, o futebol – mestre em desconstruir certezas – aprontou das suas. As arquibancadas quase que divididas davam conta que os latinos eram os que gritavam mais alto. O Palmeiras, em campo, fez favor ao destino. Um desfavor à sua história. Estêvão parece não saber que estreou o campeonato. Messi e Soares sabem que são estrelas ainda. E os Alviverdes quiseram provar.
Mesmo que não brilhasse como antes, Messi precisou de pouco para entortar a zaga Palmeirense com o espaço que o permitiram atuar. Jogando aquém do regulamento, o Inter Miami fazia com que o Palmeiras se preocupasse com o resultado do jogo entre Al Ahly x Porto que terminaria em um extenuante 4×4.
De volta ao campo, como se pudesse, o time errava passes, tropeçava em si mesmo. Assim, passou a perder por 2 gols. E foi esse o ponto de virada. Messi e Cia ‘tiraram o pé’, não souberam matar o jogo. E cederam o improvável empate em um jogo que foi ruim para os ânimos e autoridade de ambas equipes.
A falta de pretensão, noção da realidade e de entendimento aniquilou o jogo, não permitiu uma goleada e cedeu um empate impiedoso. Os Palmeirenses respiraram aliviados. Os de Miami não acreditaram na sorte que foi embora. Classificados às oitavas, buscam a redenção dentro das quatro linhas. Classificaram-se como se estivessem se eliminando. Vale o resultado. Valerá ainda mais a próxima partida que é eliminatória.
(Foto: Cesar Greco/Palmeiras/by Canon)

Bruno Velasco
Formado em Jornalismo pela UVA – Universidade Veiga de Almeida (RJ), possui experiência em documentário, fotografia, rádio e produção de conteúdo pela Agência ZeroUm, SP.
