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O cemitério de empresas da Lucas Nogueira Garcez

O desafio dos empreendimentos na região e os altos custos

A Alameda Lucas Nogueira Garcez despontou como um corredor empresarial e gastronômico nos últimos 5-7 anos. Mas, também, trouxe consigo uma gama de desafios para as empresas que se posicionaram nesse importante polo, independente do segmento em que atuam. O glamour que se atribui à região impõe um custo mais alto e nem sempre traz o retorno na mesma medida em ticket médio. É comum ver empresas abrirem e fecharem antes do ciclo de 3 anos. Mas seria apenas a questão gerencial o fator de tanto abre e fecha?

Em uma cidade em que a veia empreendedora é quase que um slogan oficial, novos negócios surgem e são desenhados para atender o público que mora e frequenta Atibaia. Sim, muitos têm dentre seu diferencial os turistas ou veranistas que aportam aos fins de semana e feriados. Mas, com exceção do setor de hospedagem, é preciso buscar o famoso dinheiro que paga a conta para que o negócio se mantenha. Para isso, entender as micro demandas e necessidades locais é um ponto necessário para se manter nesse mercado de variáveis que precisa arcar o custo fixo de cada mês.

No corredor da Lucas com tantas empresas renomadas, o valor do metro quadrado é maior apesar da quantidade de lojas fechadas recentemente. E das novas opções que passaram a ficar disponíveis após construções recentes. E por que razão o valor se mantém? Você já reparou que alguns pontos comerciais ficam fechados por meses ou anos? E, sim, se a pergunta for se têm dono e seguem disponíveis, a resposta é que sim. Estão disponíveis desde que se pague o preço que desejam. Caso contrário, seguem fechados, subutilizados e mantém – desta forma – o valor artificial diante de uma procura existente, limitando o grau de oferta disponível.

E como isso afeta as empresas?

O corredor em questão demanda interesse e público, mas precisa de algum nível de ancoragem, empresas grandes que atraiam uma grande atenção, para que pessoas caminhem em determinados trechos. Esse perfil de lojas que demanda público e faz com que pessoas se desloquem até ela, gerando um interesse em se posicionar em suas proximidades, gera público potencial em suas redondezas e se mostra um atrativo importante a qualquer perfil de negócio pela evidência estratégica que a posição/proximidade pode gerar. É possível observar isso em ao menos 3 pontos da Lucas, na parte mais baixa próximo à Av. Santana. No ponto antes da subida mais íngreme, que por sinal possui um centro comercial e um prédio. E na região alta, próximo a um colégio e um resort.

Estar dentro desses polos é desfrutar do público comum que não apenas passa de carro, mas que encontra oportunidades e usufrui do espaço. Estar fora é precisar gerar atenção para que o seu cliente em potencial pare o carro e resolva conhecer sua empresa. Um dos pontos críticos na Lucas que colabora apenas com a ‘passagem’ dos clientes é o estacionamento. Sendo quase inviável ao longo da via, depende sobretudo das oportunidades em frente às lojas ou em poucas transversais.

O conjunto desses fatores, aliados ao custo operacional, faz com que a operação das lojas precise trabalhar de modo super otimizados, trazendo um desafio ainda maior quando a sua localização não trouxer o fluxo de pessoas interessadas em volume ideal para que se convertam as visitas em negócios. Saber escolher o ponto não é somente saber qual é o mais atraente, mas também qual o perfil que ele será capaz de influenciar positivamente a sua empresa para que as contas fechem no azul, com o retorno crescente e esperado. Por essa razão, a escolha de ponto dentro do seu plano de negócios é extremamente importante. Se couber, aqui, uma proposta de reflexão: viva o dia a dia do seu ponto desejado por algumas semanas, identifique os horários de pico, o perfil do público e as demandas já atendidas, pouco atendidas e não atendidas. Ser complementar ou diferenciado por ser o segredo do seu sucesso diante desse todo que tratamos neste artigo.

Bruno Velasco

Empresário com experiência no Segmento de Franquias e Gestão de Clientes Corporativos há mais de 25 anos. Multiprofissional formado em Comunicação com habilitação em Jornalismo pela UVA – Universidade Veiga de Almeida (RJ), com experiência em documentário, fotografia, rádio e produção de conteúdo pela Agência ZeroUm, SP.