Já merecemos um shopping?
Um empreendimento desse porte em Atibaia para atender a quem?
O dito progresso vem chegando aos poucos e mudando o que se via na cidade de Atibaia. Não são só os condomínios de grande porte, os supermercados diferenciados e o trânsito que mudou. A demanda de consumo também se mostra mais diversa e isso afeta diretamente alguns setores de nossa economia local. Há produtos e segmentos que seguem em aberto, mas há outros que começam a cair em desuso.
A mudança está aí. Podemos percebê-la todos os dias com tantos canteiros de obra à céu aberto. Mas o que está por trás disso é o que esse público novo pode demandar para uma cidade que está em caminhos de mudar de vocação. O ar tranquilo ainda perdura em Atibaia, mas os ventos da mudança podem soprar em qualquer direção sem um planejamento adequado. Muitas lojas são erguidas e estão disponíveis. Muitos visitantes e alguns moradores se perguntam ainda para além: por que não tem um shopping na cidade?
Um empreendimento nesse porte – dentro do conceito e versão mais comum no país – é uma demanda que concentra oportunidades de mão-de-obra mais voltada ao serviço, nem tanto ou nem sempre ligado ao turismo. E que não ajuda a qualificar nem diversificar, em linhas gerais, o perfil dos empregos que passam a ficar disponíveis.
Em uma cidade com veia empreendedora, um shopping no modelo tradicional só viria a agregar opções de consumo para uma população, em que sua maior parte, não tem ainda um poder aquisitivo para consumir de forma mais habitual. Com isso, levanta-se a questão da necessidade de um empreendimento dessa magnitude frente a tantas lojas fechadas e, também, do impacto positivo ou não diante da economia local.
Atibaia, hoje, tem alguns centros comerciais que assumem – na falta de um shopping com denominação apropriada – o papel que se espera de um equipamento desse porte. Porém, em entrevista com alguns comerciantes, à exceção de poucas lojas que demandam movimento e geram o deslocamento dos consumidores até ela (lojas âncoras), a maior parte dos dias da semana é de movimento fraco, abaixo das necessidades operacionais.
Nesse contexto, um shopping além de mudar o eixo de consumo poderia impactar outros polos comerciais que estão sofrendo com a crise imobiliária dos aluguéis altos e com a baixa renda da população que consome. Para além da mudança da dinâmica empresarial, esse vetor comercial pode passar a despriorizar o consumo local e interno, enfraquecendo o comércio de Atibaia. Entre os prós e contras, o salto do padrão de opções que se espera conflita com uma necessidade de consumo, de mão-de-obra disponível e de arrecadação de tributos, induzindo uma modernização urbana e exigindo um planejamento público para evitar concentração em detrimento de pequenos lojistas. A equação não é fácil. E a mudança ainda é planejável.

Bruno Velasco
Empresário com experiência no Segmento de Franquias e Gestão de Clientes Corporativos há mais de 25 anos. Multiprofissional formado em Comunicação com habilitação em Jornalismo pela UVA – Universidade Veiga de Almeida (RJ), com experiência em documentário, fotografia, rádio e produção de conteúdo pela Agência ZeroUm, SP.
