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Raízes do samba em Atibaia e letramento racial foram temas de debate do GRES Independência

Letramento racial pode nos ajudar a entender o preconceito sofrido pelo povo negro no Brasil

O Grêmio Recreativo Escola de Samba Independência promoveu, no último domingo (1), na Casa do Samba, o evento “Raízes do Samba: Atibaia em Ritmo e Movimento”, para refletir sobre dois temas que se entrelaçam profundamente: a história do Carnaval em Atibaia, sobretudo a partir da década de 1950, e a importância do letramento racial na compreensão do nosso papel social, assim como o papel cultural do samba.

O encontro contou com a presença de dois convidados muito especiais: Silvana Cotrin e Jamil Scatena, ela fundadora do Quilombo Urbano Negra Visão, ele percussionista e escritor. A tradução em Libras foi realizada pela intérprete Airam Vales.

Dentre os presentes, Marlene Leite, passista e embaixatriz do Independência, Irene Belchior, carnavalesca e uma das pioneiras do Carnaval e Walter Camargo, fundador da Escola (imagem abaixo), bem como componentes da escola, amigos do Grêmio Recreativo Escola de Samba Independência e público interessado no assunto.

Silvana abriu sua fala abordando a construção do Brasil, com a chegada dos colonizadores e a súbita escravização do povo negro – regime abolido somente 356 anos depois, com sérias consequências a esta fatia da população, que hoje representa 56% do povo brasileiro.

A palestrante também explicou sobre as leis, sempre discriminatórias, citando pensamentos que se cristalizaram no imaginário e no cotidiano das cidades, como “A liberdade é negra e a igualdade é branca. Se não dá pra escravizar, vamos eliminar”. Na sequência, contou que o samba surgiu na Bahia no século XVII e se tornou um símbolo e uma forma de resistência, sofrendo, no entanto, preconceito, racismo e apagamento do povo negro até os dias atuais.

Ao final, mostrou formas de enfrentamento ao racismo com ensinamentos sobre como desconstruir formas de agir e pensar que têm sido naturalizadas com o passar dos anos.

Jamil Scatena veio na sequência discorrer sobre seu livro “Atibaia Samba, Escola de Samba”, com o tema “Contação da história do samba em Atibaia e região” e mostrou registros do carnaval de Atibaia e como o samba em sua essência chegou na cidade e evoluiu até os dias de hoje, sofrendo também os percalços envolvendo a discriminação, assim como a grave ausência de uma política pública promotora de uma cultura popular e voltada verdadeiramente ao povo Atibaiense.

O encontro foi extremamente proveitoso pois, ao falarmos de letramento racial, tratamos da necessidade de compreender como o racismo estrutura relações sociais e como, por meio da educação, da cultura e da memória, podemos reconhecer, valorizar e respeitar as contribuições das populações negras na formação do Brasil. O samba, nesse sentido, é um exemplo vivo de resistência, de afirmação de identidade e de diálogo social.

Orlando Jr., presidente da Escola de Samba Independência (abaixo, ao centro), coloca que “quando olhamos para essa história pelo olhar do letramento racial, entendemos que celebrar não é apenas festejar: é também educar, reconhecer e valorizar quem ajudou a construir nossa cultura.  Que possamos levar deste encontro a certeza de que o samba nos ensina a transformar dor em beleza, e o Carnaval, a transformar diversidade em unidade”.

O evento teve o apoio da Lei Aldir Blanc de fomento à Cultura, Governo Federal, Prefeitura de Atibaia e Secretaria Municipal de Cultura. A atividade foi finalizada com uma roda de conversa onde se discutiram os temas abordados no encontro e uma questão fundamental: qual o futuro do Carnaval em Atibaia?