1º CadernoArtigosAtibaiaExclusivasNotíciasObservatório

Fretados – O melhor da nossa mão de obra se despede da cidade todos os dias pela manhã

Como mudar esse cenário?

Atibaia cresceu, e segue crescendo nos últimos anos, atraindo não só moradores, mas, também, um público com perfil diferente. Em paralelo a todo esse movimento, precisa aprender a lidar com questões de uma geração inteira nascida na cidade e que possui desejos diferentes das anteriores. O choque de realidades e gerações, em conjunto com o vai e vem dos fretados, leva o nosso melhor potencial de futuro para fora da cidade, impedindo a cidade de crescer de forma mais sustentável com os valores que têm.

Perguntei a alguns jovens se desejam morar na cidade e a diversidade nas respostas mostrou apenas um fator comum: qual a qualidade dos empregos que teremos à disposição?

A localização estratégica de Atibaia esbarra na falta de um pensamento crítico – de muitos anos – para que o diferencial pudesse ser construído aqui tal como um polo de tecnologia, em que nem sempre os parques fabris se instalam, mas onde a parte pensante dos projetos é desenvolvida. O fato de poucas empresas terem se instalado na região com esse perfil denota que ou o interesse público pode ser outro, ou que a mão-de-obra qualificada não esteja disponível. Mas como quebrar esse ciclo?

Em muitas cidades, o parque tecnológico demandou trabalhadores de outras regiões, mas também criou escolas técnicas voltadas à criação dos profissionais do futuro. A mão-de-obra que se especializa é mais valorizada, porém, é preciso que sejam criados projetos que estimulem as empresas a investirem – diante de todas as contrapartidas legais – permitindo que o desenvolvimento não só do emprego, da qualificação da mão-de-obra, e da evolução da renda aconteçam, tornando o município um produtor de talentos capaz de retê-los. Sem contar com o impacto positivo na evolução da renda per capita real, dos que realmente moram na cidade e não as utilizam como veranistas.

Entre equações difíceis de se montar, estar atento ao que pode potencializar e agregar valor ao cidadão é uma obrigação, além de ser um exercício contínuo. Enquanto isso, o melhor da nossa mão-de-obra seguirá embarcando cedo e voltando tarde para uma cidade turística que tem potencial imenso para não ser apenas dormitório.

Bruno Velasco

Empresário com experiência no Segmento de Franquias e Gestão de Clientes Corporativos há mais de 25 anos. Multiprofissional formado em Comunicação com habilitação em Jornalismo pela UVA – Universidade Veiga de Almeida (RJ), com experiência em documentário, fotografia, rádio e produção de conteúdo pela Agência ZeroUm, SP.