Padre Júlio Lancelotti leva fé, esperança e amor à Casa do Leitor em Bom Jesus dos Perdões
Evento contou com presença da vereadora Mariana Conti, que falou sobre a experiência na Global Sumud Flotilha
Em evento promovido no último sábado (25), na Casa do leitor, em Bom Jesus dos Perdões, o Padre Júlio Renato Lancelotti falou sobre fé, esperança, amor e pediu muita reflexão sobre tudo o que acontece no mundo contemporâneo, dominado pelos meios de comunicação. Citou passagens da Bíblia, explicou sobre significados muitas vezes confundidos pelas pessoas – em razão da desinformação –, e sugeriu novos eventos. A vereadora Mariana Conti (PSOL) participou do encontro e falou sobre solidariedade e direitos humanos. Jaya Vitali e Petunée abriram o evento entoando belas canções até a chegada dos convidados.

Padre Júlio Lancelotti destacou que a importância do encontro é refletir sobre esse momento da exortação apostólica do Papa Leão XIV: o amor pelos pobres – se referindo à “Carta Encíclica Dilexit Nos” do Santo Padre Francisco –, sobre o amor humano e divino do coração de Jesus. Ele observou que as editoras estarão publicando a exortação apostólica Dilexit nos próximos dias mas que, infelizmente, não temos muita divulgação. Para ele, “é preciso denunciar as causas estruturais da miséria”, e sugeriu que a Casa do Leitor tenha exemplares disponíveis a fim de realizar uma roda de conversa sobre o tema, o que foi bem recebido por Guilherme Moura, responsável pelo projeto. A Carta vem denunciar a ditadura do capitalismo neoliberal, que se sacraliza ao usar de princípios religiosos para dominar a população.


“Nossa missão é resistir. A resistência é como andar num temporal sem nenhuma proteção. Nadar contra a corrente. Temos que saber que, nessa luta, na contramão da história, seremos atingidos, não tem outro jeito. Quem não quer ser ameaçado, perseguido ou rejeitado, não entre nessa luta. Quem entrar, estará sendo ameaçado, como você está sendo”, disse o padre Júlio, se referindo à vereadora Mariana Conti, que enfrenta um processo de cassação do mandato, em Campinas. Mariana participou da Global Sumud Flotilla missão humanitária que levava comida e remédios ao povo palestina vitima de ataques e o genocídio na Faixa de Gaza. Ela conta que viveu momentos tensos, como a interceptação pelo exército israelense, que entrou no barco com homens fortemente armados. “O exército nos provocou o tempo inteiro, mas todos estávamos bem preparados ao longo da viagem. Treinamos muito para não reagir”. Ela conta que foram momentos de vulnerabilidade, onde e criaram-se laços de afeto na flotilha e prevaleceu uma intensa solidariedade. Segundo ela, todos se inspiraram na história de resistência do povo palestino.
Sobre a frase “Não ferir quem te feriu”, Lancelotti explicou que ela é um lema – que deve ser uma convicção: não ferir. Porque a nossa lógica é “fere quem te feriu”. “Para nós é difícil, exige treinamento”, o que para ele exige vivência, uma capacitação. O padre cita o autor Thomás Halíc, padre católico, filósofo e teólogo checo e sua obra “Deus é um Deus ferido”. Citou também o papa Bento XVI, que ao visitar um campo de concentração, alguém perguntou: onde está Deus, quando colocaram crianças no crematório? “Está nas crianças com fome. Deus não está ao lado dos poderosos, nunca vai estar do lado dos que machucam”.


Durante sua explanação, Padre Júlio explicou que na liturgia católica há um momento em que o sacerdote diz “O Senhor esteja convosco”, e os fiéis dizem “Ele está no meio de nós”. Segundo ele, somente no Brasil a resposta é dessa forma pois, em todos os países, quando a pessoa que preside a celebração diz a frase, respondem, como era feito no Brasil, antigamente: “E com Seu espírito também”. O padre observa que no evangelho de João, todos os relatos pós-pascais, quando Jesus vem ele sempre se coloca “no meio”: nunca à direita, nem à esquerda, nem abaixo e nem acima. Utilizando a nomenclatura judaica, “sempre está no meio, porque o amor de Deus é para todos, frisou o padre.
Guilherme Moura celebrou o sucesso da Casa do Leitor em tão pouco tempo e agradeceu ao Padre Júlio. Segundo ele, “existe um Guilherme antes e um Guilherme depois de conhecer o padre Júlio Lancelotti, que tê-lo conhecido foi transformador. Quem esteve no evento vai compreender facilmente.
