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A sociedade do cansaço desembarca em Atibaia

Cidade precisa definir a vocação que abraçará

Em nome de um pretenso desenvolvimento que se empurra com expectativa única de mudar, não só a paisagem, mas também os rumos da cidade, o ritmo de vida cresce e ultrapassa aquele pensado para uma boa qualidade. Algo, antes, tido como determinante para o senso de pertencimento à cidade.

O problema talvez não seja aquele que os fretados levam ainda no escuro do amanhecer para trabalhar na capital ou em outras regiões mais desenvolvidas. São aqueles que ficam nos quais percebemos melhor a questão. Se antes morar em Atibaia exigia uma renda alternativa diante de tantos ‘empregos formais’ tais como subempregos na prática, hoje, é preciso ainda mais.

Jornadas, por vezes duplas, estão cada vez mais exaustivas, com vencimentos incompatíveis. O que se chamava em outros tempos de informalidade ganhou requintes de perfumaria e passou a se chamar empreender. Boa parte dos CNPJs da cidade são de MEIs. Em entrevistas realizadas, a maior parte busca complementar renda para sustentar a família diante de custos e valorização especulativa crescentes.

Para a maior parte da população, não basta mais morar em Atibaia para ter qualidade de vida. É preciso sair para trabalhar longe e ser reconhecido, com salário compatível, ou se aliar à nova informalidade da moda. O tempo está passando e a solução que se observa é a cidade atraindo um público que precisa ainda mais. E que vêm de centros ainda menores. A conta – mesmo que possível – não fecha porque não há interesse que isso mude. Afinal, o que é qualidade de vida?

Bruno Velasco

Empresário com experiência no Segmento de Franquias e Gestão de Clientes Corporativos há mais de 25 anos. Multiprofissional formado em Comunicação com habilitação em Jornalismo pela UVA – Universidade Veiga de Almeida (RJ), com experiência em documentário, fotografia, rádio e produção de conteúdo pela Agência ZeroUm, SP.