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Desculpas sintéticas escondem problemas sinceros no futebol brasileiro

Por dentro do jogo

O futebol brasileiro vive de pequenas infâmias e muitas desculpas. Agora, parece que a culpa do nosso desenvolvimento deixou de ser o gramado sintético e assumiu o caráter estrangeiro. Falamos, esbravejamos até em outras línguas para clamar por algo que deixamos de construir. O técnico brasileiro que ganha o oriente médio, ficou pequeno para a Europa que não reconhece seu valor e fez por onde não enxergar sua formação. E o que fizemos disso?

Permitimos que o futebol ditasse suas regras quando nos favorecia, ou permitimos a miopia interesseira quando o bolso não sentia ou o calo não apertava. Pequenos grandes nomes chegaram, se criaram em nossa terra. A maior parte se foi, um segue fazendo história, e nós? O que fazemos? Permitimos que a pressão seja só para brasileiros, concordamos com acordos ruins para os clubes e para os técnicos. E quando temos a chance de uma associação sustentar o discurso, fazemos o mesmo papel com perfil muito semelhante ao xenofóbico que agride e expulsa apenas por conta de um passaporte.

É preciso entender que andamos parados por tempos, anos, décadas. A Seleção Brasileira de Base é um exemplo disso. Sem projeto, sem desejo. Jovens que não enxergam possibilidades, formação que não enxerga talento. Não adianta copiar o mundo lá de fora quando a realidade em nossos campos diz outra linguagem. Não adianta culpar a chegada de estrangeiros quando nosso modelo de jogo não aceita mais o drible, o diferencial e adota padrões incompatíveis com a nossa histórica qualidade. O valor se perdeu, o talento não. Ele ainda existe e precisa ser preservado.

Quando a tida invasão foi interessante quando no campo de jogo, copiamos o modelo para o futebol de base. Mas o mundo globalizado quer mais. E seria injusto globalizar apenas a metade ou parte. Comissões passaram a vir de fora. Clubes, CBF e técnicos têm responsabilidade no que se vê. Não existe culpa, existe projeto. E para avançar precisam dialogar. O futebol nacional pode ser um produto ainda melhor havendo técnicos formados com mais prestígio e segurança para com seus trabalhos. Uma visão ideal e igualitária para que os mesmos trabalhos possam ser desenvolvidos. E isso é gestão. Faltou gestão nos últimos anos, perdemos mais que uma década. Agora, o que não pode é sobrar o ego.

Bruno Velasco

Formado em Jornalismo pela UVA – Universidade Veiga de Almeida (RJ), possui experiência em documentário, fotografia, rádio e produção de conteúdo pela Agência ZeroUm, SP.

Foto: Bruno Velasco – Correio de Atibaia.