A cidade está doente
Observatório da Cidade
É alarmante observar o avanço das redes de drogarias na cidade de Atibaia. Em poucos meses, desembarcaram na cidade novos grupos que poderiam oferecer mais qualidade ou mesmo preço aos consumidores, mas que trouxeram apenas a concorrência desleal que impede a sobrevivência de algumas lojas da cidade.
Pequenos e antigos comerciantes reclamam. Outros, sequer conseguiram tempo diante de uma luta tão desigual. Segundo fontes entrevistadas pelo nosso jornal, as grandes redes ganham boa parte – senão todos – dos produtos de um lançamento de uma nova unidade. Existe, ainda, uma competição e pagamento por posição de destaque nas gôndolas e prateleiras. Quem paga mais, se vende mais. E apenas aquela loja é quem lucra.
Lucra ao custo dos demais comércios que não resistem e fecham. Na região da Lucas ocorreu com algumas lojas. Mais recentemente outra não resistiu. E, nesse embate, os comerciantes que antes migravam para os bairros mais afastados já não conseguem operar pois as redes estão em busca de toda e qualquer possibilidade. Não se trata apenas de pontos validados. Trata-se de um viés de concorrência desigual, com salários muitas vezes defasados, escalas impensáveis e custo baixíssimo para o ‘marketplace’ que se tornaram.
As drogarias, sejam no centro ou no bairro, passam a disputar centavos com seus concorrentes. Alguns que pagam a nota fiscal cheia e com pouco prazo. Outros que ganham o produto que passam a vender. O comércio de drogarias e farmácias adoece enquanto a regulamentação do setor e do zoneamento não impedir que questões de saúde sejam tratadas apenas como negócios puros e simples. O fato de servir à população deixou de ser o ponto de partida. As lojas boutiques de comércio de medicamento invadiram Atibaia que doente apenas assistiu.

Bruno Velasco
Empresário com experiência no Segmento de Franquias, 14 anos no Setor Imobiliário e Gestão de Clientes Corporativos há mais de 25 anos. Multiprofissional formado em Comunicação com habilitação em Jornalismo pela UVA – Universidade Veiga de Almeida (RJ), com experiência em documentário, fotografia, rádio e produção de conteúdo pela Agência ZeroUm, SP.
