Antigas estações ferroviárias de Atibaia são tema de apresentação e roda de conversa
Encontro aberto ao público discute história, preservação e novos usos dos prédios da antiga Estrada de Ferro Bragantina, com acessibilidade e espaço para troca de memórias
A memória ferroviária de Atibaia volta ao centro do debate cultural com a apresentação conduzida pela artista Eli Obis nesta quinta-feira, às 17h30, na Incubadora de Artistas, em encontro que propõe um mergulho na história das antigas estações do município. A iniciativa reúne pesquisa histórica, reflexão patrimonial e escuta da comunidade, ampliando o olhar sobre edifícios que marcaram o desenvolvimento econômico e urbano da cidade.
O encontro aborda o contexto histórico e a tipologia das linhas da São Paulo Railway – ligação Santos-Jundiaí – e da Estrada de Ferro Bragantina, inaugurada em 1884 e desativada em 1967. A Bragantina integrou Atibaia ao circuito ferroviário paulista, conectando o município à malha estadual e fortalecendo o escoamento da produção agrícola regional, além do transporte de passageiros. Durante décadas, a ferrovia foi vetor de dinamização econômica e transformação urbana, até a consolidação do transporte rodoviário redefinir os rumos da mobilidade e relegar muitos desses prédios à perda de função original.
Eli Obis revela que o propósito do projeto é informar a população sobre o patrimônio ferroviário municipal, a pesquisa inicia-se com o contexto histórico e a apresentação das diferentes tipologias de estações das linhas SPR (São Paulo Railway) e EFB (Estrada de Ferro Bragantina). Foram reunidos registros fotográficos das estações até 1967, ano de sua desativação.

Após um período de abandono que se estendeu até os anos 2000, o projeto destaca o processo de revitalização e os novos usos atribuídos a esses edifícios a partir desta data, aponta a artista e pesquisadora. Além do resgate histórico, a proposta discute inventário, preservação e possibilidades de novos usos para esses imóveis, reconhecendo seu valor arquitetônico e simbólico. A programação inclui roda de conversa aberta ao público, incentivando moradores a compartilharem memórias, fotografias e relatos ligados às estações. A atividade contará ainda com audiodescrição de imagens selecionadas, garantindo acessibilidade e ampliando a participação.
Ao recuperar a história dessas construções, a iniciativa também suscita uma reflexão contemporânea: quantos desses imóveis estão hoje efetivamente integrados à vida cultural da cidade – e que papel Atibaia deseja atribuir ao seu patrimônio ferroviário nas próximas décadas?
A Incubadora de Artistas fica na rua José Lucas, 138, Centro Histórico, entre as duas igrejas. A participação é gratuita e aberta à comunidade.

