Hamilton faz história e esquenta Mundial de F1
O GP além das curvas.
O piloto mais vencedor da F1 e ainda em atividade mostrou que 2025, talvez, não tenha sido um ano para se esquecer, mas, sim, para se preparar para o que está colhendo em 2026. As mudanças de regulamento trouxeram desafios significativos que vão ao encontro de suas habilidades como piloto. A seca de pódios do último ano cedeu lugar a um piloto arrojado, confiante e dominante que voltou a mostrar suas habilidades geniais em pista.
Muito mais que falar de estratégia, precisamos falar de feitos. Hamilton conquistou seu pódio de número 206, sendo 106 vitórias. A primeira da Ferrari desde Carlo Sainz, hoje, na Williams. De quebra, mostrou ritmo e atuou o tempo todo como em voltas de classificação.
Assim como em Mônaco, a distância para a primeira curva impedia um ataque mais agressivo com a potência de sua Ferrari. Manteve-se, assim, na sua posição original de largada mas se impôs com um ritmo agressivo, largando de pneus macios diante de um Russell que conseguia abrir vantagem com pneus médios.
Porém a estratégia não parava aí. A proposta de forçar o undercut e parar no 12º giro fez com que Russell também parasse e permitiu que Lewis mudasse seus compostos para duros e ganhasse o lastro necessário diante de seu compatriota também com pneus novos e duros. A equipe de Maranello, por sua vez, projetou 3 paradas e administrou com foco a sequência de pneus que favoreciam Hamilton e forçavam a Mercedes apenas a reagir.
Com todos trocando pneus, Russell e Hamilton voltaram às posições originais. A parada de Lewis na 28ª volta pegou todos de surpresa de novo. Com novo ciclo de paradas, Russell cedeu a ponta para Kimi que parou na volta seguinte e entregou a ponta para Lewis que mostrava forte desempenho em pista e surpreendia em resultado.
Apenas 3 voltas depois de assumir a ponta, um Safety Car Virtual proporcionou, ainda a Hamilton mais uma troca de pneus que terminou com emoção. Ao sair dos boxes foi surpreendido pela bandeira verde. Apenas 1,3s o distamnciaram de Russell. Lewis conseguiu se manter em primeiro e abriu vantagem superior a 13 segundos sobre George que não sabia se atacava Lewis ou se defendia posição do ataque de seu companheiro, líder do mundial.
Kimi atacou e passou na pista, mas perdeu no abandono. Mais uma falha, aumento de falta de confiabilidade e Russell de volta ao P2 com Norris em terceiro e Max em quarto. Lewis passeou até o fim mostrando a habilidade de sempre. As condições de pista ajudaram somente pelo fato de sua pilotagem, sua estratégia junto com seu engenheiro de Ferrari terem sido executadas desde o momento da classificação.
Lewis mostra ao mundo que a Ferrari volta a medir forças e que pode estar apta a brigar pelo título. Festa na pista, no pódio e nas arquibancadas. O hino italiano tocou, desta vez, por motivos britânicos. O campeonato pega fogo e daqui a duas semanas haverá nova medição de forças. Haja coração!

Bruno Velasco
Formado em Jornalismo pela UVA – Universidade Veiga de Almeida (RJ), acompanha F1 desde 1986, possui experiência em documentário, fotografia, rádio e produção de conteúdo pela Agência ZeroUm, SP.
