Acadêmicos desenvolvem projeto inovador para a Associação Negra Visão em Atibaia
Trabalho faz parte da grade curricular do curso e busca atender as demandas da sociedade
Alunos do primeiro semestre do curso de Tecnólogo em Desenvolvimento de Software Multiplataforma da Fatec estão em processo de desenvolvimento de um projeto inovador para o Quilombo Negra Visão, em Atibaia. O trabalho faz parte da grade curricular do curso e visa, de acordo com as professoras responsáveis, cumprir sua vocação social, que é atender as demandas mais urgentes da sociedade, interagindo com o entorno – no caso, a associação cultural. As disciplinas envolvidas neste trabalho são pensadas e desenvolvidas em consonância com os objetivos do projeto, a cada semestre, perfazendo assim um projeto vertical e horizontal, ou seja, envolvendo as disciplinas do semestre e evoluindo a cada semestre letivo.
Silvana Cotrim contou ao Correio de Atibaia que o Coletivo Negra Visão existe desde 2018, e foi para o espaço no Centro de Atibaia a partir de 2020, quando passou a ser uma Associação Cultural situada no Quilombo Urbano Negra Visão. Responsável para Associação, ela informa que durante dois anos, enquanto ainda eram um Coletivo, realizaram vários saraus, no Sesi, na Praça da Amada, e ocuparam as praças em razão de não terem uma sede. “Hoje são realizadas aulas de capoeira, oficina de Jongo, atendimento psicológico e, desde 2023, somos curadores do acervo do Memorial Negro, entre diversas ações que entremeiam essas atividades fixas”.
A professora coordenadora do projeto, Cristina Becker M. Nabarro, nos conta que o objetivo do projeto é desenvolver uma plataforma web centralizada para a Associação Negra Visão, visando automatizar o processo de inscrição em oficinas, gerenciar o banco de talentos (palestrantes) e ampliar a visibilidade das ações afirmativas e eventos culturais da instituição em Atibaia. Ela explica que além de centralizar a criação de eventos, o sistema automatiza o controle de dados e gera relatórios estratégicos para o acompanhamento institucional.

A solução será um sistema web dividido em três frentes: O início (institucional): Portal público com a história da associação, mural de eventos e notícias. O meio (interação): Módulo de inscrições online para oficinas e um formulário de “Seja um Palestrante” para captação de parceiros. E o fim (gestão): Painel administrativo restrito para a Negra Visão, onde será possível gerenciar as vagas das oficinas, visualizar perfis de palestrantes e exportar relatórios de inscritos (CSV/Excel) para acompanhamento de impacto social.
Segundo o acadêmico Bruno de Paula Almeida, aluno do primeiro semestre, cuja equipe desenvolve o projeto, “nosso sistema é sólido para que as pessoas tenham facilidade para encontrar as informações certas”. Ele complementa dizendo que “o projeto tem uma importância muito grande para a população – sobretudo a população negra –, pois ele não é tão conhecido e, nesse sentido, visa aumentar a visibilidade da instituição”.
Silvana aposta no letramento racial oferecendo cursos na Associação Negra Visão. Para ela, o combate ao racismo exige posicionamento e a luta antirracista precisa ser abraçada por toda a população. Nessa linha, aposta na educação como fator de mudança social. “Esse projeto é muito importante porque estamos sempre focados nos estudos. A educação é o que pode mudar o Brasil”, aponta Silvana. Ela prossegue dizendo que “vai ser muito gratificante, nosso nome estará vinculado a uma instituição bastante conhecida”, observou.

Marisol Sawaya, aluna do curso, conta que cada disciplina ajudou na realização do trabalho, inclusive no preparo para a entrevista inicial. A partir disso, desenvolveram uma plataforma web afim de aumentar a visibilidade da instituição. “Muita gente na cidade não sabe que a instituição existe. Eles têm diversos cursos, eventos e acompanhamento psicológico. Várias coisas acontecem lá e não somente para a população negra, embora boa parte seja voltada para o empoderamento e o combate ao racismo”, observa.
A equipe formada por Igor Felipe Barbosa, Marisol Sawaya, Bruno de Paula Almeida, Luiza Kovacs Viana e Victor Iyan Oliveira apresentará o trabalho ao final deste semestre letivo, como parte do projeto pedagógico do curso – organizado de forma que, a cada etapa, os alunos concluam um projeto interdisciplinar.
