Di Ferrero volta a Atibaia, onde gravou clipe que marcou a carreira do NX Zero: ‘‘A gente vai consagrar essa história”
Em entrevista exclusiva ao Correio de Atibaia, cantor relembra a gravação de “Razões e Emoções”, fala da carreira solo e convida o público para o show deste sábado
Osni Dias
Há uma história entre Di Ferrero e Atibaia que começou antes de ele se tornar um dos nomes mais conhecidos do rock brasileiro. Em 2006, ainda à frente do NX Zero, o cantor esteve na cidade para gravar o clipe de “Razões e Emoções”, no estúdio de televisão da UNIFAAT. A música se tornaria um dos grandes sucessos da banda e ajudaria a levar o NX Zero muito além do circuito do rock. Veja o clipe aqui.
Quase 20 anos depois, Di Ferrero está de volta. O cantor é uma das atrações deste sábado (29) no Festival da Família, Música e Morango, com show gratuito às 17h30, no Parque Edmundo Zanoni. E, em entrevista exclusiva ao Correio de Atibaia, mostrou que não esqueceu da cidade. “Eu amo Atibaia, amo a Pedra Grande. Acho que é uma cidade que eu moraria, viu”, contou.

A lembrança daquele período também permanece. Na época da gravação, o NX Zero ainda era, nas palavras de Di, “uma promessa”. A banda crescia, mas ninguém sabia exatamente o que viria pela frente. “Foi muito marcante para nós, porque foi a música que colocou a gente em lugares que a gente não esperava. E daí para a frente o resto é história.” Foi mesmo. “Razões e Emoções” furou a bolha do rock e chegou ao grande público. Vieram outros sucessos, como “Pela Última Vez”, “Cedo ou Tarde” e “Só Rezo”, e o NX Zero se transformou em uma das bandas mais populares de sua geração.
Hoje, Di Ferrero percorre outro caminho. Na carreira solo, descobriu novas possibilidades, trabalhou com diferentes músicos e passou a experimentar outras formas de fazer música. Mas há algo que, segundo ele, não mudou. “A minha essência é a mesma. A música vem de um clique, de algum momento da vida, de alguma coisa que você tem que falar.” Essa relação com a música permanece também no álbum SE7E, que marca sua atual fase artística. Di conta que muitas de suas canções nascem de situações simples do cotidiano, de uma conversa, de uma frase ou de alguma coisa que sente necessidade de colocar para fora. Se pudesse voltar ao estúdio da UNIFAAT e encontrar aquele jovem que estava começando, Di não mudaria nada. Daria apenas um conselho: “curta mais um momento.”

Ele explica que, quando jovem, a ansiedade muitas vezes fazia com que fosse difícil simplesmente estar presente e perceber o que estava acontecendo. Agora, ele volta a Atibaia com outra perspectiva. “Eu tenho uma história com Atibaia e a gente vai consagrar essa história com essa turnê.” A história, portanto, continua neste sábado.
Para quem acompanhou o NX Zero desde os primeiros anos, será uma oportunidade de reencontrar músicas que marcaram uma geração. Para quem conheceu Di Ferrero já na carreira solo, será a chance de descobrir também um pouco dessa trajetória. E há uma maneira simples de entrar no clima antes do show. Dê o play.
Festival da Família, Música e Morango
Di Ferrero – Tour SE7E
Sábado, 29 de agosto
Show às 17h30 no Parque Municipal Edmundo Zanoni
Avenida Horácio Netto, 1030 – Vila Loanda, Atibaia – SP
Entrada gratuita
Imagem de abertura: Crédito: @marcelonava
Leia a entrevista com Di Ferrero, na íntegra:
Correio de Atibaia – Di, antes de “Razões e Emoções” se transformar em um dos maiores sucessos do NX Zero, houve um momento bem mais modesto. O clipe foi produzido em Atibaia, no Auditório da UNIFAAT. O que vocês lembram daquela época e daquele trabalho?
Di Ferrero – Tenho memórias incríveis desse dia. Nessa fase do NX, era uma promessa ainda, né? Estava acontecendo, estava crescendo. O cachê estava melhorando, mas era ainda uma promessa.
Foi um clipe que a gente, na verdade, para ser bem sincero, viu estrear na TV. A gente não falou “ah, está bom, está ruim”, não falou nada. Mas foi muito marcante para nós, porque foi a música que colocou a gente, o NX, em lugares que a gente não esperava. E daí para a frente o resto é história.
Mas a gente furou uma bolha – que não era só de rock. Foi a música mais tocada do ano de 2007 ou 2008, se não me engano. Então foi incrível, cara. E que legal que foi em Atibaia e que legal voltar para Atibaia. Eu amo Atibaia, amo a Pedra Grande, amo Atibaia. Acho que é uma cidade em que eu moraria, viu.
Correio de Atibaia – Quando você olha hoje para aquele garoto que estava começando e compara com o artista que se tornou, o que mudou mais? A maneira de fazer música? A maneira de enxergar a própria carreira?
Di Ferrero – A maneira de fazer música mudou, porque o mundo mudou, a tecnologia… Então eu tenho mais ferramentas agora que me ajudam e tudo mais. Mas a minha essência é a mesma coisa.
Eu acho que a música vem de um clique, de algum momento da vida, de alguma coisa que você tem que falar. No meu caso, a música é superterapêutica, assim. É uma coisa que eu tiro de mim, lá atrás e hoje também. Então eu tenho isso comigo, assim. E é o que eu sinto que as pessoas mais se identificam: quanto é verdadeiro mesmo.
Correio de Atibaia – Você construiu uma identidade própria na carreira solo. O que você descobriu sobre o Di Ferrero como artista que talvez não tivesse espaço para aparecer dentro de uma banda?
Di Ferrero – A nossa vida, se você for pensar, a gente tem vários grupos. E os grupos que a gente está, a gente tem a nossa personalidade, né? Não que muda, mas tem um lado nosso. Tem os amigos que você vai dar risada, tem umas pessoas que você vai falar mais sério.
Então, assim, quando eu estou solo, né? Sou eu comigo. É muito louco isso. Então eu tive que me pensar no que eu queria mesmo, ver se era isso mesmo e, ao mesmo tempo, sem me cobrar, porque aí, se eu me cobrar, só tem eu ali. Então ia virar uma coisa complicada. Eu aprendi muito nessa fase.
Eu devia isso para mim como pessoa: fazer um álbum com pessoas diferentes, com quem eu também nunca tinha feito coisas. Então eu consegui rodar o mundo para fazer música. Então eu aprendi demais e estou aprendendo ainda.
Correio de Atibaia – Você está vivendo uma nova fase artística com o álbum SE7E. O que hoje te provoca musicalmente e faz você pensar: “É isso que eu quero cantar”?
Di Ferrero – Olha, eu acho que eu falo muito sobre o cotidiano. E “cliques” que eu tenho, assim, durante o dia, durante algumas conversas e tal. De repente eu anoto uma frase, essas coisas de querer botar para fora mesmo.
E existem as entressafras também, que você, de repente… Antes eu ficava: “Travei, não consigo escrever”. Mas eu sei que isso é uma entressafra hoje em dia. Eu não vejo nem como negativo. Quer dizer que vai vir algo novo.
Eu aprendi isso. Eu vi que esse movimento todo é muito saudável, assim, para o artista. Mas o que eu amo é me expressar. Eu não tenho como… Eu sei que eu quero fazer isso para sempre, assim. Quero chegar igual ao Ney Matogrosso, assim. Estar super bem, cantando, no palco, fazendo música nova e tudo mais.
Correio de Atibaia – Você voltou a Atibaia. Se você pudesse voltar àquele estúdio da UNIFAAT, antes de toda a dimensão que a sua carreira tomou, o que você gostaria de dizer para aquele Di Ferrero que estava começando?
“Curta mais um momento. Só isso”. Acho que não faria nada diferente. Mas curta mais um momento. Mais novo, a gente é muito ansioso e não tem a maturidade para estar presente no momento, olhar as coisas. Então só falaria isso: só vai, calma. Calma, Di, calma.
Correio de Atibaia – E o que o público de Atibaia pode esperar desse show?
Cara, esse show está incrível. Eu sinto que estou numa fase muito feliz, tocando o Brasil inteiro com a Tour SE7E. Eu tenho uma história com Atibaia e a gente vai consagrar essa história com essa Tour. Eu espero todo mundo. A entrada é franca, então vai ser uma noite linda. E é isso. Vai ficar marcado.
