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Leclerc escorrega no ego

O GP além das curvas.

A Ferrari fez escolhas. E as decisões tomadas mostram que, talvez, a melhor decisão não tenha sido tomada. Quando surgiu, se mostrou diferente, veloz, mas não se concretizou. Em números, seu contrato pode não valer o que ele entrega. E foi assim que a decisão de não optar por Sainz fez a Ferrari liberar o primeiro piloto e ficar com aquele que não entregava o suficiente para uma escuderia do tamanho da de Maranello.

Com Hamilton chegando e a Ferrari ainda preparando um carro novo para 2026, Leclerc parecia superior frente a um Lewis que vinha em baixa na Mercedes. O tempo mostrou que o trabalho de backstage de Lewis trouxe resultados neste ano. E que Charles apenas conhecia melhor de um carro não tão bom. E se valia de uma distopia em relação ao que seria o real.

Leclerc chegou grande em 2026, assim como Russell, e ambos derramaram na realidade. Kimi e Hamilton mostraram na pista, e com os novos regulamentos, que seus resultados seriam muito melhores que o esperado. Enquanto um novato mostrava as cartas na Mercedes, na Ferrari o sete vezes campeão mostrou ritmo, força mental, equilíbrio e voltou a vencer, se colocando na disputa pelo título.

E é justamente aí que o ego de Leclerc o ataca. A frustração que a realidade lhe impõe não o deixa perceber, por mais de um GP, que existe uma equipe por trás. Vencer Hamilton não o faz campeão. Jogar sujo e contra a equipe muito menos. Leclerc padece da realidade e da insuficiência de ser o piloto que deseja. Já se perdeu. É novo, tem mais ego que resultado. Precisa saber trabalhar em equipe, trabalhar para a equipe, produzir e aprender. Campeões são moldados também em adversidades. Leclerc está tendo sua oportunidade, ainda, de corrigir rota.

Bruno Velasco

Formado em Jornalismo pela UVA – Universidade Veiga de Almeida (RJ), acompanha F1 desde 1986, possui experiência em documentário, fotografia, rádio e produção de conteúdo pela Agência ZeroUm, SP.

Foto: Divulgação / F1