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Há 38 anos, Brasil chocava o próprio país!

Com que Música eu Vou.

“Não me convidaram pra esta festa pobre” não soou como uma simples queixa da geração pós 80 que via o país voltar ao período democrático. O cenário vivido àquela época parece ressurgir em um Brasil novamente inflamado. A música “Brasil”, de Cazuza, George Israel e Nilo Romero, lançada em 1988, porque algumas das perguntas que a canção fez continuam sem respostas.

Questões centrais permanecem no centro do debate. Nem mesmo desapareceram os problemas. “Quero ver quem paga pra gente ficar assim” continua sendo a provocação compreensível diante de um país com enormes desigualdades entre quem decide, quem se beneficia e sobre quem paga a conta. As BETs estão aí para provar parte disso.

Apesar da democracia estabelecida como rito, quase quatro décadas depois, nossas instituições vivem sob ataques e questionamentos seletivos. A política do espetáculo ganhou as ruas, os bares, invadiu estádios e chegou às famílias. Antes, a TV, agora, os algoritmos criaram recortes, e narrativas sob medida. Versões convenientes do país, sobre o que é corrupção e sobre o que deve ser considerado verdade. Criado para substituir a realidade pela convicção.

Em um cenário que narrativas prevalecem, questionamentos somem. E é nesse vazio que “Brasil” se recusa a ser apenas sobre o passado. Atravessa o tempo e volta a dialogar com o presente, especialmente quando, com ironia, pergunta algo que segue na mente de muitos. Afinal: “Qual é o teu negócio? O nome do teu sócio?”

A “grande pátria desimportante” surge justamente como crítica de quem não quer aceitar o Brasil como está. Mas é capaz de ler as entrelinhas e analisar. “Brasil” não prevê o futuro, mas lembra que democracia é mais que votar. Que cidadania não termina nas urnas e que a mudança não pode ser confundida com maquiagem eleitoral, nem devocional, nem eleitoreira.

Bruno Velasco

Empresário com experiência no Segmento de Franquias, 14 anos no Setor Imobiliário e Gestão de Clientes Corporativos há mais de 25 anos. Multiprofissional formado em Comunicação com habilitação em Jornalismo pela UVA – Universidade Veiga de Almeida (RJ), com experiência em palestras, documentário, fotografia, rádio e produção de conteúdo pela Agência ZeroUm, SP.

Foto: Divulgação/Miriam Prado / Rolling Stone Brasil