1º CadernoArtigosAtibaiaExclusivasNotíciasObservatório

Cidade Partida – As duas Atibaia que existem

Duas Atibaia para uma mesma realidade e uma só gestão.

Nada se cria ou acontece por algum simples acaso, porém nada que se apresenta também se constituiu e se consolidou nos dias de hoje. Foram anos, são anos em que existem duas Atibaia, ao menos, convivendo dentro de uma das mais importantes cidades do interior paulista. O dia a dia mostra o mix que une – ao mesmo tempo que separa – dois mundos distintos que talvez vivam em função do outro. Separados na geografia, unidos pela necessidade. É como se um muro não fosse capaz de distanciar, nem mesmo uma rodovia, locais tão próximos que vivem em uma espécie de simbiose.

Há o lado tido mais nobre, turístico, de posses e poses. Com o centro da cidade, bairros influentes e redutos. Há, ainda, a Atibaia que cresce desigual, que perdeu o trem, mas ficou com a Estação mais lembrada da cidade. Embora apenas em festividades, mas mesmo assim ainda poderia ser diferente. Pois é possível perceber que ‘após a ponte’, o glamour perde parte do seu brilho, a estrutura carece de infra e planejamento. E os bairros cresceram sem o mesmo cuidado que o lado ‘rico’. Sobram necessidades, faltam condições diferentes que permitam um futuro melhor para esse lado.

Um lado investe, o outro vive à sombra desse investimento, pagamento. Acorda mais cedo, enfrenta o trânsito e a organização que precisa de um planejamento cada vez melhor. A Prefeitura, o governo de hoje, sabe que não criou essa realidade, mas entende os movimentos necessários e sabe que precisa lidar com ele. E, por conta disso, ultimamente, caravanas sociais com arte e cultura – como cinema itinerante – levou o lúdico, a capacidade de sorrir, de se afastar da realidade que aparta, e trouxe de volta alguns frequentadores à telona.

A Atibaia que vive distante precisa de atenção e vem recebendo. Para além das oportunidades e do acesso à educação e à saúde, é preciso, sim, investir no cidadão sem condição. Naquele que pouco entende ainda a importância da arte, da cultura. É preciso mostrar que – a partir do equilíbrio – uma nova semente pode germinar e trazer pensamentos além dos óbvios, com sonhos maiores e propostas de realidade diferentes. É permitir que, por alguns instantes, qualquer condição de distanciamento caia e todos estejam reunidos. E que isso não seja apenas na condição de servir, e, sim, na de existir.

Bruno Velasco

Empresário com experiência no Segmento de Franquias e Gestão de Clientes Corporativos há mais de 25 anos. Multiprofissional formado em Comunicação com habilitação em Jornalismo pela UVA – Universidade Veiga de Almeida (RJ), com experiência em documentário, fotografia, rádio e produção de conteúdo pela Agência ZeroUm, SP.