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Piracaia prepara exposição sobre a família Queirolo e a memória do circo brasileiro

Mostra prevista para outubro homenageará uma das famílias mais tradicionais do circo no país, da qual fazem parte personagens como Chicharrão, Torresmo, Pururuca e Pituca

Osni Dias

Há histórias que permanecem nos arquivos. Outras continuam vivendo nas pessoas. Piracaia pretende reunir essas duas dimensões em uma exposição sobre a família Queirolo, uma das mais tradicionais do circo brasileiro, prevista para outubro deste ano. A exposição terá como personagens nomes que atravessaram diferentes gerações do picadeiro, entre eles Chicharrão, Torresmo, Pururuca e Pituca. Mas há uma ligação particularmente próxima entre essa história e Piracaia: Brasil João Carlos Queirolo, o palhaço Pururuca, filho de Torresmo e representante de uma das gerações da família, vive atualmente no município.

É a partir dessa presença que a Prefeitura de Piracaia, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, Esporte, Turismo e Empreendedorismo, começou a organizar uma exposição dedicada à trajetória dos Queirolo e, por extensão, a uma parte da própria história do circo brasileiro. “Vamos fazer uma mostra sobre circo justamente para reconhecer um artista da cidade que trabalha há décadas e tem uma tradição com uma família de palhaços. O resgate é justamente para isso: valorizar a produção artística, fomentar não somente o turismo, mas reconhecer o valor cultural que cada um tem”, afirma o secretário municipal Damarison Brito.

Do picadeiro para o acervo
A preparação da exposição levou uma equipe da Secretaria de Cultura ao Centro de Memória do Circo, em São Paulo. Pururuca participou da visita, acompanhado pelo coordenador da instituição, Walter de Souza. Mantido pela Prefeitura de São Paulo, o Centro de Memória do Circo preserva documentos, fotografias, objetos e outros registros relacionados a artistas, companhias e famílias circenses de diferentes períodos. Segundo o Centro, seu acervo reúne cerca de 80 mil itens. Entre as coleções preservadas está justamente a da família Queirolo, o que transforma a instituição em uma das principais fontes para a construção da exposição que será realizada em Piracaia. Durante a visita técnica, foram pesquisadas referências, fotografias e objetos que poderão integrar a mostra.

A história dos Queirolo atravessa gerações e diferentes momentos do entretenimento popular brasileiro. Seus artistas ocuparam picadeiros e também chegaram a outros meios de comunicação, numa época em que o circo, o rádio e posteriormente a televisão compartilhavam artistas e personagens conhecidos por públicos de diferentes regiões do país. É nesse percurso que aparecem nomes como Chicharrão e Torresmo e, nas gerações seguintes, Pururuca e Pituca.

Memória também guardada em casa
A exposição, porém, não deverá ser construída apenas com aquilo que sobreviveu nos arquivos institucionais. A Prefeitura está procurando moradores que possuam fotografias ou outros registros ao lado de Pururuca e Torresmo. O material poderá ser compartilhado com a Secretaria de Cultura e algumas dessas imagens poderão integrar a exposição. A proposta abre espaço para uma memória que dificilmente estaria completa apenas com documentos oficiais. Fotografias guardadas em álbuns de família podem revelar encontros, apresentações e passagens desses artistas pela região e reconstruir a relação que mantiveram com seu público.

É justamente nessa dimensão que Damarison Brito identifica um dos sentidos da exposição. “Tem toda a questão da memória afetiva. O principal objetivo é esse resgate de uma cultura que precisa ser revivida, sobretudo para as novas gerações”, afirma.

Uma política de recuperação das tradições
A mostra sobre o circo também faz parte de uma proposta mais ampla da Secretaria de Cultura de recuperar manifestações e atividades que, segundo Damarison, perderam espaço ao longo dos anos no calendário da cidade. “Piracaia tem resgatado tradições que por muito tempo foram deixadas para trás, como os desfiles natalinos, a Festa do Peão e a festa de Santo Antônio, na Igreja do Rosário, buscando dar maior visibilidade e valorizar a produção artística”, diz o secretário.

Nesse ponto, a exposição sobre os Queirolo ocupa um lugar particular. Diferentemente da retomada de uma festa ou de uma celebração, trata-se de preservar uma história cuja continuidade depende também da capacidade de registrar seus personagens enquanto ainda é possível ouvir quem fez parte dela. E Pururuca está em Piracaia. Sua presença permite que a exposição não trate a família Queirolo apenas como um capítulo encerrado da história do circo. Parte dessa memória ainda pode ser contada por alguém que nasceu dentro dela, viveu o picadeiro e carrega no próprio nome artístico a continuidade de uma tradição familiar.

A programação completa, o local e as datas da exposição ainda serão divulgados pela Prefeitura de Piracaia. Até outubro, a Secretaria de Cultura pretende continuar reunindo materiais. E talvez uma parte dessa história ainda esteja onde nenhuma instituição conseguiria encontrá-la sozinha: dentro de uma gaveta, num antigo álbum de fotografias, guardada por alguém que um dia esteve diante do picadeiro.