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Outubro no Sítio do Picapau Amarelo: um convite para desacelerar e voltar a brincar

Parque temático inspirado na obra de Monteiro Lobato reúne crianças, pais e avós em uma experiência que combina literatura, natureza, diversão e memória afetiva em Atibaia

Osni Dias e Rodrigo Seixas

Em um mundo acelerado, talvez o melhor presente para uma criança seja descobrir que a infância também pode ter outro ritmo. Em Atibaia, o Parque Temático Sítio do Picapau Amarelo propõe uma experiência que aproxima literatura, natureza, brincadeira e memória afetiva, reunindo crianças, pais e avós em torno de um universo que continua vivo. A criança acorda cedo porque os pais estão atrasados. Corre para a escola. Volta para casa no ritmo da família. Tem atividades, compromissos, telas, jogos, vídeos e uma infinidade de estímulos. Quando o dia termina, muitas vezes parece que passou depressa demais. A infância também entrou na velocidade do mundo adulto.

Em Atibaia, uma visita ao Parque Temático Sítio do Picapau Amarelo pode representar uma experiência em outro ritmo. Um tempo para caminhar, brincar, observar, ouvir uma história, descobrir um lugar e estar junto. A proposta ganha ainda mais significado porque o Sítio pertence a várias gerações. Para muitas pessoas que hoje são pais ou avós, Emília, Narizinho, Pedrinho e Visconde de Sabugosa fizeram parte da infância, pelos livros, pela televisão ou pelas histórias contadas em casa. Para muitas crianças de hoje, porém, esses personagens já não fazem parte do universo cotidiano. É nesse encontro que uma geração apresenta à outra uma história que fez parte de sua própria infância.

Encontro de gerações
O diretor do parque, César Leonel, conta que uma das razões para a criação do espaço foi justamente manter vivo o legado de Monteiro Lobato e aproximá-lo das novas gerações. “Monteiro Lobato criou isso há muito tempo atrás, numa realidade diferente, num mundo diferente”, observa Leonel. Ao longo dos anos, o universo do Sítio saiu dos livros, chegou à televisão e ganhou diferentes versões. Agora, no parque, a proposta é oferecer às crianças uma experiência presencial com esse imaginário.

Mas existe algo que o parque não consegue reproduzir apenas com cenários e personagens: a memória dos adultos. Logo na chegada, os visitantes são recebidos pelos personagens. E Leonel conta que a reação de alguns adultos é de profunda emoção. Há pessoas que choram ao reencontrar personagens que fizeram parte de sua infância, abraçam os atores e interagem com eles. “Voltam a ser criança”, resume Leonel. A cena ajuda a explicar uma das características mais interessantes do Sítio: enquanto a criança descobre um personagem pela primeira vez, o adulto pode reencontrar alguém que conhece há décadas. A história muda de geração, mas continua sendo contada.

Um lugar para desacelerar
O parque foi concebido para que o visitante não fique apenas diante de uma atração. É preciso caminhar, observar, participar das atividades e percorrer diferentes espaços. Há uma programação organizada por estações, com atividades relacionadas a histórias, personagens e livros. Mas existe também algo que se tornou menos comum na rotina de muitas crianças: o contato com a natureza.

O espaço conta com áreas de preservação e experiências como a Horta do Rabicó, o Jardim Sensorial e o Pomar da Dona Benta. “Hoje é muita gente em apartamento, em casa e não tem essa oportunidade”, explica Leonel. A ideia é proporcionar às crianças uma experiência diferente daquela que encontram diariamente. “Ela chega aqui e encontra um espaço lúdico e de bastante tranquilidade”, afirma Leonel.

O parque reúne teatro, o Casarão da Dona Benta, o Brinquedão do Pedrinho, instalado em meio à mata, e o Laboratório das Invencionices, onde as crianças participam de experiências com o Visconde. É uma proposta que o parque define como “edutenimento”: aprender por meio do lúdico, aproximando conhecimento, brincadeira, literatura e imaginação. A experiência também recupera uma relação que parece cada vez mais distante da rotina: brincar sem a necessidade de uma tela. A criança pode explorar um espaço, descobrir um cenário, participar de uma atividade, ouvir uma história e encontrar personagens que até então conhecia apenas por outras referências.

Do livro para o mundo real
A experiência pode começar ainda em casa, com um livro. Para quem conhece o universo de Monteiro Lobato, abrir uma história do Sítio também significa abrir uma porta para a memória. Para uma criança que nunca teve contato com esses personagens, pode ser o primeiro encontro com Emília, Narizinho, Pedrinho ou Visconde. Depois, o que estava nas páginas ganha espaço, cenário, natureza e movimento.

É uma passagem da imaginação provocada pelo livro para a experiência concreta de caminhar por um lugar inspirado naquele universo.E talvez seja justamente aí que a literatura encontre uma nova geração: quando uma história deixa de ser apenas uma lembrança dos adultos e passa a fazer parte das descobertas das crianças.

Um ano de Sítio em Atibaia
O parque completa um ano de atividade em outubro. Nesse período, segundo Leonel, milhares de alunos de escolas já passaram pelo espaço, além dos visitantes que frequentam o parque nos fins de semana. A acessibilidade também foi uma preocupação desde a implantação. O parque conta com rampas de acesso, banheiros acessíveis e carrinho para transporte de visitantes quando necessário.

Em outubro, mês das crianças, o parque prepara ações especiais. Durante todo o mês, moradores de Atibaia têm desconto e crianças de até 10 anos, acompanhadas de um adulto, não pagam, conforme as condições da promoção. Para quem vive na velocidade dos compromissos, pode ser uma oportunidade de fazer uma pausa. Para as crianças, algumas horas de brincadeira, natureza e imaginação. Para pais e avós, a possibilidade de acompanhar uma nova geração descobrindo personagens que, um dia, também fizeram parte de suas próprias histórias. Em um mundo acelerado, talvez o melhor presente para uma criança seja descobrir que a infância também pode ter outro ritmo.