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Quando a chuva é inimiga: o clima na Capital do Morango

Observatório da Cidade

Semear é preciso. Colher, por sua vez, nem sempre. Em junho de 2026, Atibaia projetava colher 2 mil toneladas de morangos e recebia cerca de 70 mil visitantes durante a 42ª Festa do Morango. Três meses depois, tudo mudou. O mesmo céu que prometia prosperidade trouxe chuvas capazes de destruir até 80% da colheita em sítios do bairro Campos dos Aleixos. Esse contraste climático na Capital Nacional do Morango não é um episódio isolado: expõe o desafio de uma agricultura que ainda precisa se preparar melhor para a instabilidade do clima.

O problema também é estrutural. Atibaia concentra cerca de 2 milhões de pés de morango, cultivados por produtores familiares que dependem do equilíbrio entre chuva e sol. Quando esse padrão é rompido, o prejuízo pode avançar mais rápido do que a capacidade de resposta. Nem sempre o seguro agrícola é suficiente para cobrir as perdas ou garantir a retomada da produção. Embora a Embrapa desenvolva alternativas, como variedades de mudas mais resistentes e adaptadas às condições locais, a tecnologia, sem políticas públicas voltadas à prevenção e à gestão de riscos, pode não ser suficiente. E não tem se mostrado eficaz na região.

O desafio, por sua vez, vai além das lavouras. As mesmas chuvas que irrigam podem destruir lavouras, mantendo, ainda, assim, imensas áreas verdes e lagos. A Atibaia que depende do clima que o ambiente proporciona se choca com a dualidade em formas reais distintas, mas ainda não optou por como reagir de forma antecipada aos fenômenos que se sabem. É preciso pensar em uma ação estratégia integrada para com as lavouras, de modo que isso não se transforme em um ciclo de prejuízo econômico prolongado.

Enquanto o mundo debate a adaptação climática em fóruns internacionais, Atibaia enfrenta o problema no dia a dia: a cada tempestade, a cada safra comprometida e a cada caixa de morangos cujo preço pode refletir o tamanho do prejuízo. A questão já não é apenas se o clima vai mudar, mas quanto a cidade conseguirá se adaptar antes que os impactos cobrem um preço ainda maior de quem produz, de quem trabalha e de toda a economia local.

Bruno Velasco

Empresário com experiência no Segmento de Franquias, 14 anos no Setor Imobiliário e Gestão de Clientes Corporativos há mais de 25 anos. Multiprofissional formado em Comunicação com habilitação em Jornalismo pela UVA – Universidade Veiga de Almeida (RJ), com experiência em palestras, documentário, fotografia, rádio e produção de conteúdo pela Agência ZeroUm, SP.