Uma Copa à beira do Abismo no país da falsa liberdade
Por dentro do jogo
A escolha da sede da Copa do Mundo trouxe o que em 1994 não transpareceu. A memória da copa realizada antes ruiu. A receptividade, o belicismo e a truculência extrapolaram o campo de jogo e atingiram a competição.
Colecionando polêmicas, proibiram até quem seria responsável em zelar pelas regras do jogo. Com árbitro barrado e delegações incompletas, impedidas de entrar, os EUA capturam a evidência dentro de uma festa que ainda tem Canadá e México como co-anfitriões.
A festa que poderia ser, não foi. Desafinou. Se antes a FIFA determinava a lei, como em 2014 no Brasil, hoje, a entidade se curva ao lucro, à potência do evento e não à qualidade do mesmo. A proposta foi ajustada para caber, em vez de ser reforçada para existir.
Em um evento que pretendia reunir povos, tradições e futebol. O jogo começa com a bola meio cheia, quase murcha. Reflexo de uma sociedade doentia, da ostensividade, do desejo de demonstração de poder em vez de conexões que se esperam em uma Copa do Mundo e em uma Olimpíada.
A Copa que começa, hoje, segregou povos. Já iniciou errada. O mostrou o desvalor que a FIFA prega. Se o futebol une, por enquanto, ele está perdendo para aqueles que o organizam.

Bruno Velasco
Jornalista formado pela UVA – Universidade Veiga de Almeida (RJ), possui experiência em crônica esportiva, documentário, fotografia, rádio e produção de conteúdo pela Agência ZeroUm, SP.
Foto: Nytimes
