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Vanessa Gerbelli e Carmo Dalla Vecchia trazem Forever Young ao Cine Itá

Em conversa exclusiva com o Correio de Atibaia, a atriz fala sobre os dez anos do espetáculo, a amizade com o elenco e a velhice como exercício de imaginação; montagem será apresentada neste domingo, em um dos espaços mais simbólicos da cidade

Osni Dias

Há encontros que parecem feitos pelo tempo. Neste domingo, 30 de agosto, às 19h, o Cine Itá Cultural recebe Forever Young, comédia musical que há dez anos leva ao palco uma pergunta aparentemente simples, mas difícil de responder: o que acontece com a nossa juventude quando o corpo envelhece? A resposta do espetáculo vem em forma de música, humor, amizade e uma coleção de grandes canções que atravessaram gerações. No palco, atores conhecidos do público brasileiro interpretam versões quase centenárias de si mesmos. E há uma ironia bonita nessa escolha: para falar sobre a velhice, Forever Young não abandona a juventude. Ao contrário, transforma-a em combustível.

Para Atibaia, porém, a apresentação ganha um significado especial. O espetáculo chega ao Cine Itá, um espaço que também conhece as marcas do tempo. Inaugurado em 1950, o antigo cinema se tornou parte da memória afetiva da cidade, atravessou diferentes fases e, depois de anos de dificuldades, voltou a ocupar um lugar de destaque na vida cultural de Atibaia. É nesse palco carregado de histórias que Vanessa Gerbelli e Carmo Dalla Vecchia estarão ao lado de Guilherme Uzeda, conhecido pelo personagem A Tia, Janaina Bianchi, Tom Prado e Fábio Yoshihara. A montagem conta ainda com o maestro Miguel Briamonte, responsável pela direção musical e presença ao piano.

Em conversa exclusiva com o Correio de Atibaia, Vanessa Gerbelli falou sobre a trajetória de quase uma década ao lado do espetáculo e sobre a relação que se criou entre os integrantes do elenco. Ela e Carmo estão juntos na montagem praticamente desde o início. A amizade, porém, começou muito antes de Forever Young. “Eu e o Carmo já somos amigos há 26 anos, então nós somos muito amigos”, conta a atriz. Com Janaina Bianchi, a relação é ainda mais antiga. “Eu conheço desde antes do Carmo, há quase 30 anos.” É uma proximidade que, segundo Vanessa, acaba aparecendo no palco. “É um elenco amigo, de fato. A gente tem muita troca em cena e fora de cena.”

Essa intimidade ajuda a explicar a energia de uma montagem que, apesar de falar de personagens muito idosos, não se constrói pela tristeza ou pela nostalgia. O humor está presente, mas existe também uma reflexão sobre aquilo que todos nós fazemos quando pensamos no futuro: imaginar quem seremos quando o tempo tiver deixado suas marcas. Para os atores, esse exercício começa muito antes de entrar em cena. “A gente sempre faz o exercício de tentar se ver mais velho, seja observando nossos pais, nossos parentes mais velhos, tentando vislumbrar como seria no futuro”, explica Vanessa.

Interpretar esses personagens, entretanto, exige um caminho curioso. Em vez de colocar mais energia no corpo, os atores precisam aprender a retirá-la. O movimento se torna mais contido. A voz precisa sugerir cansaço. O corpo passa a contar uma história diferente. “A gente acaba se forçando a usar menos força, a usar menos movimento, a restringir nossos movimentos, a imaginar uma voz mais cansada.”

O resultado é uma espécie de jogo entre aquilo que os atores são hoje e aquilo que imaginam que poderão ser amanhã. E o espetáculo, ao longo dos dez anos, também acompanhou mudanças na maneira como o público enxerga a representação da velhice. Vanessa conta que chegou a imaginar que a escolha de atores mais jovens para interpretar personagens de 90 anos poderia provocar algum estranhamento. “Hoje em dia, espera-se que pessoas de 90 anos façam uma peça de personagens de 90 anos. Mas não é essa a premissa da peça.” O possível ruído, segundo ela, não se confirmou. Há uma razão: Forever Young também fala sobre o próprio teatro e transforma essa situação em uma brincadeira. “É uma grande brincadeira.”

Talvez esteja aí uma das razões para a longevidade da montagem. Em dez anos, mais de 500 mil pessoas já assistiram ao espetáculo, que também foi indicado a importantes prêmios do teatro musical brasileiro. Para Vanessa, uma obra se torna clássica justamente quando consegue permanecer atual. “Eu acho que o que torna uma obra um clássico é a capacidade que ela tende a se manter sempre atual e desejada.”

A música tem papel fundamental nesse processo. O repertório passeia por décadas de rock e pop, reunindo canções que fazem parte da memória de diferentes gerações. São músicas de uma época que continuam encontrando novos ouvidos. “Eu acho que as músicas todas que são tocadas ali evocam lembranças nas pessoas e são realmente músicas muito boas. Eu acho que a gente canta e percebe que a plateia também canta.” Entre tantas canções, Vanessa escolhe “Smells Like Teen Spirit”, do Nirvana, como uma de suas favoritas. A música ganha uma releitura dentro da montagem e aparece, segundo ela, em um momento especialmente significativo da narrativa. O repertório ainda reúne sucessos como “I Love Rock and Roll”, “I Will Survive”, “I Got You Babe”, “Roxanne”, “Satisfaction”, “Sweet Dreams”, “Music”, “San Francisco”, “California Dreamin’”, “Let It Be”, “Imagine” e “Forever Young”. Na música brasileira, aparecem Raul Seixas, Tim Maia e Chico Buarque.

É um repertório que não funciona apenas como trilha sonora. Ele é parte da memória dos personagens — e também do público. O produtor local Charles Geraldi, que conversou com o Correio de Atibaia, atribui o sucesso de Forever Young a um conjunto de elementos. Para ele, a longevidade da montagem não pode ser explicada por um único fator. “A qualidade da produção como um todo: cenários, figurinos, visagismo, maquiagem e perucaria, trilha sonora, iluminação e o fator principal quando estamos falando de teatro: o trabalho dos atores, que conjuga interpretação e canto.” Geraldi também destaca o trabalho do diretor Jarbas Homem de Mello. “Este conjunto coeso e o resultado grandioso que vemos em cena é fruto do trabalho do diretor Jarbas Homem de Mello.”

Fotos: Divulgação

Para o produtor, levar uma produção desse porte para cidades do interior também tem um significado importante. “Grande importância por permitir o acesso a esta categoria de produções musicais para este grande público presente nas cidades do interior do Estado e que anseia por espetáculos de qualidade.”

Em Atibaia, esse encontro entre produção nacional e público local acontece em um espaço que, por si só, já carrega uma história de permanência. O Cine Itá nasceu como cinema, tornou-se palco de diferentes manifestações artísticas e hoje é novamente um dos lugares celebrados da cultura da cidade. Receber Forever Young ali produz uma coincidência que parece desenhada pela própria dramaturgia do espetáculo: uma peça que olha para o tempo sendo apresentada dentro de um lugar que também sobreviveu a ele.

Vanessa acredita que essa reflexão sobre o envelhecimento ultrapassa a ficção. Ao longo dos anos, interpretar personagens tão distantes de sua própria idade também se tornou uma oportunidade de pensar sobre o futuro. “É divertido e ao mesmo tempo é importante. É um bom exercício e uma reflexão importante também de cuidado.” E completa: “A velhice realmente é algo que, se a gente estiver melhor preparado fisicamente e psicologicamente, a gente consegue encará-la de uma maneira muito mais tranquila.”

No universo de Forever Young, envelhecer não significa desaparecer. Os personagens continuam cantando, amando, brincando e desejando. Continuam sendo artistas. Continuam querendo estar no palco. Talvez por isso o título do espetáculo seja menos uma promessa do que uma provocação. O tempo passa, as cidades também. Mas algumas histórias permanecem. E, neste domingo, uma delas volta a ocupar o palco do Cine Itá.

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O produtor local Charles Geraldi oferece aos leitores do Correio de Atibaia 50% de desconto sobre o valor do ingresso inteiro. Para ter direito ao benefício, basta chamar Charles pelo WhatsApp (11) 9 9996-3356 e informar que chegou à apresentação por meio desta matéria.

SERVIÇO
Forever Young
Domingo, 30 de agosto, às 19h
Cine Itá Cultural – Auditório Vilma Vasques Guzzi
Rua Visconde do Rio Branco, 51 – Centro, Atibaia – SP
Classificação indicativa: 12 anos