Onofre: Prefeitura esclarece projeto e mantém em aberto o debate sobre as intervenções
Resposta a pedido de informação do Correio de Atibaia detalha a proposta para o Alvinópolis II, que prevê contenção em uma das margens e parque linear; estudos hidráulicos completos e avaliação ambiental ainda serão realizados.
A intervenção prevista para o Córrego do Onofre, na região do Alvinópolis II, não prevê a canalização fechada de todo o curso d’água. É o que esclarece a Secretaria de Obras Públicas de Atibaia em resposta a um pedido de informação encaminhado pelo Correio de Atibaia com base na Lei de Acesso à Informação.
Segundo a Prefeitura, o projeto combina estruturas de proteção contra inundações com diretrizes de soluções baseadas na natureza. A proposta prevê a construção de um dique com contenção em gabião na margem ocupada pelo bairro, enquanto a margem oposta deverá permanecer sem intervenção, preservando espaço para a dinâmica natural do córrego.

Também está prevista a implantação de um parque linear, com ciclovia, equipamentos de recreação, academia, mobiliário urbano e complementação arbórea. A canalização fechada, conforme o esclarecimento oficial, será pontual e estará relacionada à travessia e ligação da Avenida Professor Pires de Camargo, associadas à implantação de um novo acesso ao bairro.
Estudos complementares
A Secretaria de Obras Públicas informou que a intervenção se encontra na fase de projeto básico. Para o dimensionamento preliminar, foram utilizados dados de bases digitais, mapeamento hidrológico, estimativas de vazões pelo método I-Pai-Wu e registros históricos de enchentes no Alvinópolis II.
Os estudos hidrológicos e hidráulicos completos, os levantamentos topográficos, as investigações geotécnicas e o dimensionamento estrutural deverão ser realizados na etapa de elaboração do projeto executivo, a cargo da futura contratada.
O mesmo vale para os estudos ambientais. Segundo a Prefeitura, caberá à empresa contratada elaborar os instrumentos de gestão ambiental exigidos, avaliar os impactos e definir eventuais medidas de mitigação e compensação. Esses documentos deverão integrar as próximas etapas do empreendimento e anteceder a autorização para o início das atividades.
Um dos pontos ainda pendentes é a avaliação dos efeitos hidráulicos da intervenção sobre os trechos localizados a montante e a jusante do córrego. A própria Secretaria informa que essa análise será realizada durante a elaboração do projeto executivo e deverá orientar eventuais ajustes na solução proposta.
Obras ainda não começaram
A Prefeitura informou que o processo está em tramitação licitatória e que as obras ainda não foram iniciadas. O cronograma de execução será detalhado após a contratação, considerando a elaboração do projeto executivo e a obtenção das aprovações e autorizações necessárias.
A resposta esclarece, portanto, a concepção geral da intervenção, mas ainda não permite conhecer em detalhes seus efeitos sobre o conjunto da bacia hidrográfica. Também não foram apresentados, nesse retorno, os estudos completos que permitirão avaliar o dimensionamento da estrutura e as alternativas técnicas consideradas.

Debate continua
A questão do Onofre ganhou espaço na discussão ambiental do município a partir do trabalho da Expedição pelo Córrego do Onofre, da qual participa a ambientalista Néia Costa. O coletivo defende a recuperação dos cursos d’água, a proteção das margens, a ampliação de áreas permeáveis e a adoção de soluções que considerem o funcionamento natural dos rios.
A resposta da Prefeitura apresenta uma concepção que, segundo a administração municipal, procura conciliar a proteção do bairro com a preservação da margem oposta. O detalhamento técnico dessa proposta, entretanto, ainda será desenvolvido.
Permanecem questões relevantes para o debate público: quais serão os efeitos da contenção sobre o comportamento da água em outros trechos? Quais alternativas foram efetivamente avaliadas? Como os estudos ambientais orientarão a execução? E de que maneira a população e as organizações ambientais poderão acompanhar as próximas etapas?
O Correio de Atibaia procurou a administração municipal para esclarecer essas questões e apresenta agora as informações oficiais recebidas. O coletivo ambiental e os moradores interessados poderão se manifestar sobre a proposta e acompanhar a divulgação dos estudos previstos para a próxima fase.
A discussão sobre o futuro do Onofre permanece aberta. Proteger os bairros contra as inundações, preservar os cursos d’água e planejar a cidade diante dos eventos climáticos extremos são objetivos que exigem informação pública, estudos técnicos e participação da sociedade.
Leia matéria com Neia Costa sobre o Onofre: https://correiodeatibaia.com.br/2026/10/15/neia-costa-o-rio-tambem-tem-direitos/
